Terça-feira, 24.04.12

FRENPROF - uma banca e uma feira de comes e bebes em frente do ministério

por Luis Moreira às 09:00

Aí está, a não ser de uma coisa é de outra, o pobre do homem acha que é o sindicato que governa a Educação. Não é, embora a tenha co-governado desde há muitos anos, não podendo por isso, fazer de conta que nada tem com a actual situação.

Luta contra tudo o que mexe na educação. Contra a avaliação, contra os rankings, contra a autonomia das escolas, contra o quadro próprio de professores ...

Um burocrata do pior e ao nível dos que também têm banca no ministério da Educação.  É só mesmo o que falta em frente do ministério, uma banca e uma barrica para não se perder tempo a montar e a desmontar o "estaminé" tantas são as manifestações.

Quer para a educação o programa do PCP que nunca ganhou nas urnas. Mas pior que tudo é que a classe dos professores , a troco de um prato de lentilhas, se deixa manipular quando a maioria dos seus membros não concorda com as ideias destes alucinados.

Ficamos então assim. Eles ficam em "festa" e deixam as escolas trabalhar.

Sábado, 14.04.12

Tempos difíceis estes...

por Maria Mulher às 03:29

a cruz do crato.png

Tempos difíceis estes, com efeito avestruz a toldar a lucidez dos dias. Por onde andam os homens e as mulheres que fizeram deste país um lugar de democracia e de confiança? E onde estão os que nada fizeram?!...

Temos de acordar uma destas manhãs e fazer renascer a esperança. Urgentemente! O futuro precisa de todos os pais, de todos os professores, de todos os cidadãos. Vivos, ativos, proativos e em defesa da Escola Pública, da Educação e do seu país. Urgentemente!!! E as nossas crianças, os nossos jovens, os nossos filhos,todos precisamos de uma Escola que os ensine, que nos ajude a educá-los para ser gente a sério, não para ser máquinas, robôs de 1ª, 2ª ou 3ª escolha, produzidos em série. Respeite-se a Escola em vez de pretender tranformá-la numa qualquer linha de montagem com teste de qualidade, à saída.

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Sexta-feira, 13.04.12

twilight zone

por Miguel Cardoso às 19:53
Coisas que circulam pela comunicação social lusa e que parecem verdade: 

"A partir do próximo ano lectivo, os pais vão ter total liberdade de escolha na escola que querem matricular os alunos."

Admito que tenha alguma verdade ao nível do pré-escolar e 1º ciclo... Mas estou ansioso por ver o Director da escola de elite da cidade x ou y aceitar uma catrefada de alunos problemáticos de meios sócio-económicos desfavorecidos só porque os pais deles decidiram que aquela era a escola indicada para eles.

Lá se ia a média e o ranking.

A realidade?
Os alunos serão (como já se faz aqui e ali) diplomaticamente reorientados no seu percurso escolar, que é como quem diz, chutados para o canto que lhes pretendem destinar..

Quinta-feira, 12.04.12

trinta? mais valia trinta e um

por Nuno Fernandes às 22:28

A notícia sobre o aumento do número de alunos nas turmas do ensino básico e secundário de um mínimo de 26 até um máximo de 30 alunos aviva com saudade a experiência pessoal de um ano lectivo numa turma de precisamente trinta alunos. Dizer que a coisa correu mal para 20 dos 30 alunos talvez seja redutor para o que aconteceu.

No entanto fica na memória alguns professores desmotivados, sem capacidade de reacção para apagar trinta incêndios, uns quantos a marimbarem-se completamente para o estado das coisas, e bastantes alunos completamente absorvidos pela situação em que se viram envolvidos.
Vamos andar mais uma vez no caminho errado, parece a sina da Educação!  

 

P.S. O génio, ou os génios, que se lembrou desta medida certamente nunca teve aulas numa turma de 30 alunos!

Domingo, 01.04.12

As escolas matam a criatividade

por Luis Moreira às 23:23

Maior autonomia para as escolas - factor decisivo de qualidade

por Luis Moreira às 12:00

Por : José Manuel Fernandes (Público - 30-3-2012)

"Para que as escolas tenham realmente autonomia devem poder escolher os seus professores"

Esta revisão curricular diz apostar numa maior autonomia para as escolas. Fá-lo, indiscutivelmente, em áreas como a organização dos tempos lectivos, o que é de aplaudir. Fá-lo, também, ao criar mecanismos como o dos objectivos mínimos de aprendizagem verificáveis através da realização de provas nacionais nos diferentes ciclos. Isto significa que o ministério se ocupará menos em controlar e fiscalizar os processos adoptados escola a escola e se focará mais nos resultados, o que deve ser a sua verdadeira vocação."

PS: continua amanhã à mesma hora

Poesia ao nascer do dia - Alberto Pimenta - Civilidade

por Luis Moreira às 08:00

Alberto Pimenta :

Civilidade

não tussa madame
reprima a tosse
não espirre madame
reprima o espirro
não soluce madame
reprima o soluço
não cante madame
reprima o canto
não arrote madame
reprima o arroto
não cague madame
reprima a merda
e quando estourar
que seja devagarinho
e sem incomodar, ok madame?
ok, monsieur.

Sábado, 24.03.12

Educação de qualidade -o paradigma da melhoria assenta numa acção humilde, determinada e persistente de cada escola

por Luis Moreira às 18:00
"Há anos que as políticas educativas dos sucessivos governos têm privilegiado a mudança em detrimento da melhoria. Ora, estes caminhos são muito distintos. O paradigma da mudança repousa na iluminação dos detentores momentâneos do poder que, possuídos de uma divinal chama, decretam e despacham a toda a hora as mudanças. E estas ocorrem, fatalmente, no dia decretado. Por sua vez, o paradigma da melhoria assenta numa acção humilde, determinada e persistente de cada escola, envolvendo sobretudo professores, alunos e pais que, partindo da análise das suas fragilidades e potencialidades, ousam estabelecer e percorrer compromissos de melhoria gradual. A primeira via gera irresponsabilidade, a segunda sustenta-se na responsabilidade." Fonte - Público / 20051230 Ver mais citações de Actualidades sobre - Educação Ver mais citações de - Azevedo , Joaquim
Autonomia, responsabilidade, reconhecimento, resultados.

Segunda-feira, 19.03.12

A Educação na Flórida - não, não é uma solução liberal

por Luis Moreira às 22:00

...O método seguiu cinco passos: "Primeiro, a Florida começou a classificar as escolas de A a F, segundo a capacidade e progresso dos alunos em testes anuais de leitura, escrita, matemática e ciência. O estado dá dinheiro adicional às escolas que têm A ou melhoram a sua classificação, e os alunos das escolas que tenham dois Fs em quatro anos podem transferir-se para escolas melhores. Segundo, a Florida deixou de permitir que os alunos do terceiro ano que mal consigam ler passem para o quarto (prática comum em toda a América, chamada "promoção social"). Terceiro, criou um sistema de pagamento de mérito, no qual os professores cujos alunos passem certos exames recebem bónus. Quarto, dá aos pais muito mais escolha, com cheques estaduais, entre escolas públicas, convencionadas, privadas e até online. Quinto, a Florida criou novos métodos de certificação para atrair pessoas mais talentosas para a profissão, mesmo que essas pessoas não tenham um grau académico específico em educação" (The Economist, 25/Fev, p. 41; ver o site da fundação do ex- -governador, www.excelined.org).

Este é um caso entre vários, não muito original, mas mostra o essencial. Tem coisas parecidas com o que por cá tenta o senhor Ministro da Educação, mas uma diferença essencial: confiança nas pessoas. Na Florida acha-se que alunos, pais e professores sabem o que é melhor, e o Estado apenas os ajuda nesse esforço. Note-se que esta não é uma solução liberal. Continua a haver escolas públicas e o Estado tem enorme intervenção, classificando, subsidiando, bonificando. Mas a atitude de fundo é subsidiária, dando primazia à sociedade como agente e finalidade, não à genialidade do especialista que julga saber. Por exemplo, em Portugal avaliam-se professores, na Florida avalia-se o seu trabalho. Cá criamos exames para promoção na carreira, lá usam-se os testes dos alunos para premiar os docentes....

PS a partir de um texto de João César das Neves no DN

Domingo, 18.03.12

O exemplo de escola que não interessa

por Miguel Cardoso às 13:15

 

Na Finlândia, 40% das escolas têm menos de 50 alunos e as que têm mais de 600 estudantes não ultrapassam os 3%. Os estudantes finlandeses também não podem ser colocados em escolas que estejam a mais de cinco quilómetros de distância de casa. A pequena dimensão das escolas é mesmo reconhecida como um factor de sucesso para um dos sistemas de ensino com melhores resultados académicos. 

 

 Abandonar as escolas de grande dimensão e substitui-las por outras mais pequenas é o objectivo do "small schools project", lançado nos EUA. O projecto já se estendeu a todo o país e tem por base estudos científicos que provam que os alunos têm melhores resultados e o facto de cada um ser reconhecido pelos professores ajuda a reduzir a violência escolar. Melhorias que acabam por reduzir o custo de cada aluno.  (A taxa de sucesso escolar subiu de menos de 40% para 69%)

 

No Reino Unido, a preocupação também já é de reduzir a dimensão das escolas. Pelo menos foi essa a promessa feita pelo primeiro-ministro David Cameron, no ano passado, invertendo assim a tendência dos últimos anos em que 55% das secundárias têm mais de 900 alunos e passaram a existir cinco vezes mais escolas com mais de 2000 estudantes. O objectivo é humanizar mais as escolas britânicas.

(DN, 17/03/12)

 

Sucedeu o mesmo com a treta das novas pedagogias do "eduquês", chegaram a Portugal quando os demais países as abandonavam, foram anos de inanidades, o mesmo sucederá com a dimensão das escolas, daqui a 20 anos. Até lá, quanto e quantos se perdem?

 

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Quinta-feira, 08.03.12

É um acordo justo, que permite que a Educação progrida diz Crato

por Luis Moreira às 13:00

Um novo regulamento virado para a apropriada gestão dos recursos humanos, para as necessidades das escolas e para um melhor acompanhamento dos alunos.
Regulamento de Concurso de professores
, o novo regulamento foi assinado por seis sindicatos e pelo ME.

O Ministério da Educação e Ciência considera que esta regulamentação vai “introduzir uma maior eficácia na gestão dos recursos humanos ao autorizar, por exemplo, que um professor contratado com horário incompleto possa completar o seu horário até às 22 horas, se existir essa necessidade” na escola, permitindo “colmatar rapidamente situações de doença ou de baixa”.
“Com este novo diploma, o Ministério da Educação e Ciência espera tornar mais coerente a regulamentação e aplicação das matérias relacionadas com o recrutamento, introduzir maior transparência e equidade nos procedimentos, resolver situações específicas de professores que se arrastavam há anos, colmatar de forma mais célere a substituição de um professor, impedindo que os alunos fiquem semanas sem aulas, e obter maior eficiência na gestão dos recursos humanos e na satisfação das necessidades docentes, diz o ministério.

Claro, que há quem nunca concordará com uma maior autonomia das escolas, com a avaliação, com os rankings das escolas...tudo o que seja medir o mérito.

Terça-feira, 28.02.12

Educação - autonomia precisa-se a todos os níveis

por Luis Moreira às 17:00

... devemos rejeitar que, tal como muitas vezes acontece, os menos capazes e competentes se apoiem e em conjunto fechem as portas das estruturas civis e políticas, com receio de perderem as oportunidades que têm como suas...

A educação e a formação têm que mudar. Continuamos com modelos de ensino demasiado rígidos. A palavra autonomia, seja nas universidades e nos politécnicos, seja nas escolas...é a chave para uma evolução e um desenvolvimento curricular que se pode traduzir em melhorias na formação dos estudantes.

A criatividade intelectual não é promovida no nosso sistema de ensino...para que se possa maximizar o potencial de cada um. É urgente que adaptemos dentro do possível a educação e a formação às exigências, necessidades, potencialidades e interesses de cada estudante. Esta adaptação tem que se reflectir nos currículos em primeiro lugar e de seguida também nos métodos de avaliação.

PS: Luis Rebelo , Público

Sábado, 11.02.12

Nuno Crato: voltou a exigência onde havia facilitismo

por Luis Moreira às 09:00

Voltou a exigência e a excelência, onde havia comodismo e facilitismo!

A informação constante no site do Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE) diz que questões demasiado simples podem constituir "um indicador desajustado da exigência pretendida".

As provas devem "avaliar de forma clara e precisa os conhecimentos de cada disciplina e pautar-se pela exigência e rigor, adequando o nível de complexidade ao ano de escolaridade a que se destinam", lê-se no documento da Secretaria de Estado do Ensino Básico e Secundário.

Vamos a ver se é desta que a educação deixa de ser pasto de interesses de corporações organizadas e passa a ser local de trabalho exigente e de excelência. Com avaliação do mérito e com rankings das escolas segundo modelos negociados e aceites por todos. Faz-se em todo o mundo!

Quarta-feira, 01.02.12

Uma seca do caraças!

por Luis Moreira às 12:00

A Ministra da Justiça atira-se ao anterior ministro insinuando que há "mosquitos por cordas" na gestão do património. Um "Campus" no Parque das Nações que custa uns milhares largos por mês enquanto o Estado tem milhares de prédios sem ocupação. Volta à Boa Hora!

A seca no território ameaça a agricultura se não chover agora até ao fim de Fevereiro. A humidade nocturna tem sido suficiente para aguentar as culturas mas com o frio que aí vem já na próxima 6ª feira, espreitam prejuízos de monta.

As greves nos transportes estão para ficar, têm no horizonte a privatização de muitas empresas públicas . A Soflusa vai extinguir 48 travessias no Tejo para poupar. Sindicatos contra!

O Mário "alucinado" da FRENPROF, após ter sido preterido como secretário-geral da CGTP (cada vez mais PCP) comunica o que todos já sabíamos. Está contra a reforma curricular do Nuno Crato. ( uma seca, pois se ele nunca esteve a favor de nada a não ser que se faça o que ele quer...)

Dizem os meterologistas que o país está "em seca suave"...

Para acabar (mal) o desemprego já vai nos 13,25 com 40% de jovens ! Uma seca do caraças!

Quinta-feira, 29.12.11

A burro que está a comer não se lhe deve mexer na barriga - - na educação, na saúde, na administração pública...

por Luis Moreira às 19:35

Quando se toca nos interesses instalados, soltam-se os cães e é o fim do mundo ou perto disso. Os serviços degradam-se, crianças morrem sem assistência ou têm que ir a Madrid ( parece que nos querem convencer que é razoável ter um serviço de transplante hepático onde se fazem 12 transplantes por ano, havendo no Curry Cabral um serviço igual para adultos que apresenta dos melhores resultados a nível mundial)...

A resposta ao relatório do Tribunal de Contas que denuncia perdas de 2 milhões em desperdício no SNS por dia está aí, os lobbies fazem uma barragem miserável de desinformação na comunicação social .

"A última foi a divulgação do aumento das listas de espera (10 dias) para fazer exames médicos no Serviço Nacional de Saúde. Surpreendido, caro leitor? Só se for ingénuo...
Adiante então que nisto de opiniões a coisa não fica por aqui: ainda o insuspeito Tribunal de Contas divulgou uma auditoria que diz que os hospitais do SNS desperdiçam dois milhões de euros por dia. Nada do que se está a passar é estranho. Basta mexer nos interesses de três ou quatro grupos de interesse, que têm em comum estarem há longos anos pendurados na teta do Estado, para que eles "soltem os cães".

Diz-se na Beira Baixa: a burro que está a comer não se lhe deve mexer na barriga!

Quinta-feira, 15.12.11

Uma revolução na Educação

por Luis Moreira às 12:00

Uma simples frase: "Nuno Crato deixou, no entanto, uma mensagem: “Quem dita o que vai acontecer, terá de ser o ministério, ouvindo sobretudo os que mais sabem do assunto, que são os directores de escola e os professores”.

Sem violência, sem levantar a voz, sem azedume, colocando as coisas nos seus lugares. A co-governação da Educação (sindicalistas/burocratas do ministério) que prevaleceu nos últimos 20 anos , e que tanto mal infligiu às nossas escolas, acabou.

É uma notícia de grande alcance que a autonomia das escolas avance, fugindo da tenaz burocrática que as asfixia. São os professores e os alunos os grandes vencedores do processo!

Sexta-feira, 18.11.11

Educação - passo a passo

por Luis Moreira às 12:00

Nuno Crato hoje na Assembleia da República tornou a salientar que a sua política são medidas cirúrgicas nas áreas prioritárias.

“Estamos a planear a reforma curricular intercalar com todo o cuidado. Anunciaremos as medidas e vamos pô-las à discussão. A nossa política é pouco a pouco tomar medidas cirúrgicas”, .

Ministro da Educação admite que o Governo está disposto a clarificar os aspectos relacionados com a autonomia no ensino superior.

O secretário de Estado do Ensino Superior, João Filipe Queiró, disse esta tarde no Parlamento que já começaram a ser pagas as bolsas de acção social aos alunos do ensino superior. Ao todo, já foram pagas “cerca de 10 mil bolsas”.

Na abertura do debate parlamentar sobre o Orçamento do Estado para 2012, em sede de especialidade, o ministro disse ainda que foram devolvidos às escolas mais de mil professores, indicando "vamos devolver ainda mais".

"Reduzimos em 70 por cento o número de professores requisitados nas direcções regionais e em 56 por cento o número de professores em mobilidade nos serviços centrais do ministério", expôs.

Sem "implodir" o monstro e respectiva centralização a educação não melhora, como não tem melhorado, apesar da cada vez maior percentagem do PIB investido.

Finalmente os professores vão ser sujeitos a uma prova de acesso "à nobre profissão de professor"!

Quinta-feira, 17.11.11

Ninguém fica para trás?

por Francisco Clamote às 15:32

Em dois meses mais de seis mil estudantes já desistiram do ensino superior.

O Ministério da Educação vai gastar menos 30 milhões de euros com os alunos com necessidades especiais de aprendizagem e menos 5,7 milhões na acção social escolar em 2012

É já muita gente que, se não ficou para trás, foi posta de lado

Terça-feira, 25.10.11

Educação - assim, o país não tem futuro

por Luis Moreira às 23:22

Será que esta Escola de Penalva do Castelo reflecte o ensino em Portugal? Nunca se saberá enquanto não tivermos informação fidedigna e aceite por todos, que meça o mérito e a capacidade de ensinar nos diversos ambientes que influenciam a aprendizagem. Que se avalie o trabalho das escolas, dos professores e de todos os que nela trabalham. Não podemos continuar a ter uma guerrilha permanente entre sindicatos e ministério. Um sistema opaco, embrulhado sobre si mesmo, nunca cumprirá o que se pede!

A falta de informação chega a este ponto!

 

         
   

Segunda-feira, 24.10.11

Professores - A força do corporativismo

por Luis Moreira às 19:00

Marcelo Rebelo de Sousa:"O Ministério durante muito tempo foi dominado pela FENPROF [Federação Nacional de Professores] que influenciava a sua direcção, mesmo com ministros e governos com a visão de que deveria existir liberdade de escolha".

Este foi sempre e, continua a ser, embora com menos força, o grande problema da educação em Portugal. Um ministério fortemente centralizado pasto da avidez de sindicatos e burocratas e pouco preocupado com as escolas e os alunos.

Uma co-governação que se tem revelado catastrófica e que é preciso desmontar rapidamente com mais autonomia para as escolas, com avaliação e progressão nas carreiras baseada no mérito.

Terça-feira, 18.10.11

Educação: Os rankings das escolas são fonte de estudo

por Luis Moreira às 22:30

Tudo o que mexe na Educação é para "matar no ninho"! Avaliação dos professores era impossível, até descobrirem esta coisa tão simples. Como todos os funcionários públicos teriam que se sujeitar a ela. Já a aceitaram! Autonomia para as escolas, sim, desde que o Director não mande nada, a colocação dos professores seja feita anualmente em concurso nacional e desde que todos cheguem ao topo da carreira....

Agora saíram os Rankings das escolas, e lá vêm eles com a cantilena do costume. Esquecem-se que há quem estude estes fenómenos. Olhem o que diz a Dra Cláudia Sarrico, Avaliadora Externa da Equipa de Avaliação de Escolas da Inspecção-Geral da Educação:

Factores de risco: idade média dos alunos, porque isso reflecte os seus desempenhos anteriores; origem socio-económica embora não tenha sempre a mesma influência ( 30 a 40% dos resultados)

Factores positivos: Escolas com mais professores no quadro, têm uma maior ligação à escola e aos alunos.As variáveis como a liderança da escola, a autonomia e as práticas de auto-avaliação são muito importantes. ( mas nenhuma destas medidas entusiasma a corporação comandada pelos sindicatos).

"Por isso eu defendo que as escolas não devem ser ordenadas pelos resultados dos exames mas pela diferença entre o resultado real e o esperado para cada escola;( resultado esperado segundo os factores de risco). Há muitas escolas que vêm no topo do Ranking mas que se encostaram "à sombra da bananeira" podiam ter melhores resultados. E, há escolas muito boas apesar dos maus resultados nos exames? Sim, há escolas que fazem um grande trabalho, atendendo ao ambiente socioeconómico, conseguindo resultados acima do esperado.(segundo os tais factores de risco).

A avaliação das escolas tem novas regras,  as escolas vão passar a ser avaliadas segundo o "resultado esperado" para cada escola e para cada ano.

Vamos lá ver se descem a avenida menos vezes e se os 73 041 certificados médicos em quatro meses , diminuem para valores que não envergonhem toda a classe! É que a faltarem desta forma nunca chegarão ao topo dos rankings!

Quarta-feira, 05.10.11

Nogueira terá em mente os 73 041 professores doentes?

por Luis Moreira às 18:00

Este co-responsável pela situação miserável a que chegou a educação em Portugal, seguindo o modelo habitual vem dizer que os professores não podem ser mais castigados que os outros trabalhadores. E, realmente, não são. Têm emprego para toda a vida ao contrário dos outros. E, em quatro meses, metade da classe meteu atestado médico.

Domingo, 18.09.11

Dados Aleatórios sobre uma área e o consequente futuro de muita gente

por Nuno Fernandes às 09:22
Universidade Licenciatura Vagas Colocados Nota Último Colocado
U Nova de Lisboa  Ciências da Comunicação 87  87  167,0
U Minho  Ciências da Comunicação  60  60  160,2
U Porto  Ciências da Comunicação  85  85  160,0
IP Lisboa  Jornalismo  60  60  157,0
U Técnica Lisboa  Ciências da Comunicação  62  62  156,5
U Coimbra  Jornalismo  50  50  153,5
IP Coimbra  Comunicação Social  40  40  147,2
IP Lisboa  Jornalismo - Pós-Laboral  20  20  140,5
U Beira Interior  Ciências da Comunicação  50  50  139,1
U Trâs-os Montos Alto Douro  Ciências da Comunicação  61  61  137,9
U Algarve  Ciências da Comunicação  35  35  133,2
IP Setúbal    35  35  131,8
IP Portalegre  Jornalismo e Comunicação  35  35  121,1
IP Viseu  Comunicação Social  70  52  111,9
IP Leiria  Comunicação Social/Educação Multimédia - Pós-Laboral  25  8  110,3
IP Tomar  Comunicação Social  35  21  109,3
U. Açores  Comunicação Social e Cultura  25  12  105,5
         
    Vagas  Colocados  Sobram
     835  773  62
         

* Eventualmente pode faltar neste registo alguma Licenciatura que se enquadre na área

 

As vagas, numa área a rebentar pelas costuras, e os respectivos colocados não são assim tantos, pois não?

Sábado, 10.09.11

O Ressabiado - a educação é uma paixão

por Luis Moreira às 19:00

 Um livro que se publica um mês antes de uma eleição legislativa sobre políticas de educação. Convida-se o mais que provável futuro primeiro ministro para apresentar publicamente o livro.

Durante anos a fio escreveu no Público, e escreve no Público sobre Educação, arrasou Maria de Lurdes Rodrigues, sobre Alçada Batista considerava-a, e bem, um interregno, tem um blogue com o seu nome criado por professores a homenegeá-lo pelos contributos que tem dado à causa.

É, lícito, que tenha corrido atrás dos seus sonhos, umas vezes alcançam-se outras vezes não, mas o que parece mal é que após ter sido preterido na escolha para o Governo, a sua escrita se tenha virado para uma crítica sistemática à pessoa do primeiro ministro.O tal que apadrinhou o seu livro sobre educação. Fez mesmo saber que o programa de governo sobre a educação saiu do seu punho.

A verdade é que também tenho seguido há anos, Nuno Crato e, no essencial, a política que defendem é a mesma ou próximas. Nuno Crato é mais coerente, descentralizar do "monstro da 5 de Outubro", maior autonomia para as escolas, avaliação dos professores (com consequências), rankings das escolas e sua publicação, centrar a aprendizagem no sistema, maior liberdade de escolha da escola para as famílias.

Escolher os ministros é tarefa do primeiro ministro, há mesmo personalidades que não aceitaram, mas após a escolha é feio mostrar ressentimento mesmo que tenham sido dados sinais que alimentaram a esperança.

O Prof Santana Castilho, não merece a imagem negativa que está a dar de si próprio.

Quarta-feira, 10.08.11

Quais brandos costumes? Somos é muito educadinhos

por joao moreira de sá às 17:03

Entre nós, talvez por falta de capacidade de auto-análise ou mesmo por modéstia, tende a confundir-se por passividade social colectiva, os chamados brandos costumes, o que mais não é que uma demonstração de civismo, cidadania e, acima de tudo, educação, respeito pelo próximo.
Se se pode dizer que um povo é assim ou assado, o que eu até acho que não se pode mas que se diz, nós somos os assim, não temos feitios para ser assados.

Para começar, somos pessoas pouco dadas à porrada. Um riot em Portugal pouco passaria de pessoas (adjectivem-nas vocês que a mim não me pagam aqui isso) de um lado e polícias do outro a empurrarem-se mutuamente trocando argumentos de "olha que eu rioto-me" - "olha que levas" - "pensas que eu tenho medo de ti? anda cá se és bófia" - "riota-te lá!, vá, experimenta só, para veres"... e assim sucessivamente até ser hora de jantar ou começar a bola na tv.
Acima de tudo, somos pessoas civilizadas e educadas, gente que não gosta de estar a maçar gente. Se nos passam à frente numa fila, deixa estar, há gente que não tem educação, nós temos, não vamos agora aqui chamar a atenção da pessoa em plena fila da caixa do supermercado que fica tudo a olhar para nós e ainda vão pensar que nós somos suburbanos ou pacóvios que chegaram ontem da aldeia e nunca foram fintados por um chico-esperto e por isso reclamam.
A mesma lógica que leva a que, nunca tendo visto um, tenho a certeza que num gráfico de povos de recorrer ao livro-de-reclamacionismo, nós apareceríamos em ultimo, pelo menos na UE (não confundir com o gráfico das vezes que dizemos aos amigos que usámos o livro de reclamações vs. as vezes que de facto usámos pois aí a posição seria a inversa). Parecendo que não aquilo é uma maçada, para os senhores da loja, é uma peixeirada, dá sempre caldeirada - e lá estão os outros a pensar coisas de nós - não leva a nada, o mal está feito, o que passou, passou, o que lá vai, lá vai, somos todos civilizados vamos resolver isto entre nós e depois, parecendo que não, ainda se tem que escrever mesmo, à mão, muitas linhas e fica lá o nosso nome e isso depois só pode dar é chatices... Não nos vamos amotinar por causa disso, pois não?
Em comparação com o Reino... Unido?... temos a vantagem de até os nossos jovens serem muito mais educados. Lá estão, nas suas fériazitas de verão, aproveitando os dias de sol para ficar em casa a matar pessoas na play satation em vez de andarem na rua, que vê-se o lindo resultado que dá. Não!, os nossos pequenos lutters têm formação nas juventudes partidárias para um dia virem a lutterar-nos com um F o maior possível. Ao que nós, evidentemente, não respondemos, somos educados. Limitamo-nos a demonstrar o nosso amor ao próximo, chame-se ele José, Pedro ou Toz... António, desde que seja o próóóximo! (mas não é assim, aos gritos, que parece mal, fica tudo a olhar para nós).

Quarta-feira, 03.08.11

Última oportunidade das "Novas Oportunidades"

por Luis Moreira às 10:00

O ministro da educação vai avaliar os resultados deste programa que custa muito dinheiro. O que aonteceu aos homens e mulheres que o frequentaram? É preciso saber se este programa ajudou alguém.

"É preciso saber o que serviu às pessoas, não só em termos de valor pessoal, mas profissional e de empregabilidade", defendeu Nuno Crato numa audição na Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura."

Sem avaliação nada se sabe e é a melhor maneira de se deitar dinheiro à rua sem benefício para ninguém. Pouco a pouco, e sem cortes cegos, vai-se analisando onde poderá haver desperdício.

Quarta-feira, 27.07.11

Portugal: “Se fosses só o sal, o sol, o sul, (…)”

por Rogério da Costa Pereira às 02:51

«Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo, 
golpe até ao osso, fome sem entretém, 
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes, 
rocim engraxado, 
feira cabisbaixa, 
meu remorso, 
meu remorso de todos nós...» 

As palavras que encimam estas linhas, assim como o título que as anuncia, são de Alexandre O'Neill. As que seguem, bem mais pobres, são da minha lavra. Portugal é a minha terra, o meu amor-ódio, a minha razão e a minha loucura, o meu vício e … o meu vício. Porque só por vício se aguenta este país que aprendi a amar; e que depois me desaprenderam.

Comecemos pela Justiça, por este pilar que, ao invés de destro, cada vez mais se escreve por mãos que industriaram a ser canhestras. E que se orgulham disso; quem ensinou e quem aprendeu. Aos gritos de “acudam-me”, a Justiça desmorona-se a cada dia, refém de processualismos bacocos, de códigos que não param quietos, de prazos que só são peremptórios para quem a ela recorre, não para quem a faz (ou a arremeda). Falo de uma Justiça que diariamente se nega, duma Justiça onde Procurador e Juiz entram pela mesma porta. Partilham o mesmo estrado, fazendo-nos olhar de baixo para cima. Defendo veementemente o posicionamento cimeiro do magistrado que decide; tal é necessário para que se perceba e se aceite que a decisão vem de cima. Não do Juiz – não daquele Juiz −, mas do Estado de Direito que nos regula. E aqui é que a porca torce o rabo. E torce-o duas vezes na mesma direcção. Não aceito que o procurador esteja à minha frente, não aceito que esteja num plano mais alto que o meu, Advogado, ao lado do Juiz – em direito penal, é como que virar do avesso, pela via arquitectónica, a presunção de inocência. Ele, o acusador, está lá em cima. Nós, os reles defensores, num processo que eles leram (quando leram) à pressa e de esguelha (quem acusa, só por mera coincidência é quem se empina na Casa Grande por essa acusação), começamos por baixo. A tentar subir escadas, para provar atenuantes, para provar, pasme-se, inocências. Aquele estrado é uma metáfora da violação diária da presunção de inocência de que atrás falo. Este senhor que me ladeia, do alto deste estrado, diz isto de ti, agora defende-te; prova aí de baixo que é tudo um erro! Aprecio particularmente as instruções, onde o procurador está presente, uma em cada cem vezes, nas diligências instrutórias. Já aos debates vem sempre, umas vezes pedir Justiça, outras debater sobre o que não ouviu. Sobre o que desconhece. Disto se vai fazendo a Justiça.

Abro agora um enorme parêntesis para aqui excepcionar os Juízes e Procuradores que, embora do estrado, não são nada disto. Não fazem nem permitem nada disto. Já trabalhei – e trabalho – com Juízes cuja seriedade e competência não deixam margem para dúvidas. Já trabalhei – e trabalho – com Procuradores que cumprem o ritual da arquitectura, mas que não se põem em bicos-de-pés no estrado que o Estado lhes oferece. Não é o perder e o ganhar – palavras algo arrogantes – que me conduzem estas linhas. Já perdi e já ganhei. Não gosto é de ver uma condenação, civil ou criminal, ditada pelos pequenos poderes de quem se toma – ele, pessoa – por um órgão de soberania.

Não sou nenhum anjinho, entendam-me, nem posso sê-lo; não me fico pela decisão da primeira instância, se puder utilizar as armas que o processo me dá para a virar do avesso na Relação. Não sou Juiz, não sou Procurador. Posso ser parcial. Devo ser parcial. Tenho mesmo de o ser. Eles é que não.

Em suma, ou remendam tudo isto, e passamos, mero exemplo entre muitos que podia dar, a ter uma Relação que efectivamente reaprecia a prova, sem a cantiga do costume: o juiz a quo que esteve na singular posição de olhar as testemunhas nos olhos e blá-blá-blá…, ou então não vale a pena andar a mudar diariamente os códigos (actualmente, tenho de me haver com três versões diferentes do Código de Processo Civil; sou obrigado a andar a verificar se o processo deu entrada em Abril ou em Maio – assevero que isto não é uma parábola). Temos excelentes Juízes e excelentes Procuradores. E, assim como temos péssimos licenciados em direito inscritos na Ordem e que se assinam advogados – que nunca deviam ter passado no crivo da Ordem (e aqui dou razão ao meu Bastonário) −, temos também excelentes Advogados. Temos tudo para dar certo, pese embora o que acima disse. Para isso é necessário que o legislador se imponha aos corporativismos, mas também que se abra às justas reivindicações. Sem boa mão-de-obra, sem boa matéria-prima, jamais serão possíveis bons resultados. A propósito de matéria-prima, e aqui falo das leis que nos regem, há que parar com a diarreia legislativa que nos assola; deixem o pentelho em paz, mudem o que realmente deve ser mudado. Comecem, por exemplo, pelo famigerado e anedótico Código da Insolvência e Recuperação de Empresas, que parece ter sido escrito à desgarrada (ora berras tu, ora grito eu), como que um Cadavre exquis mal disfarçado.

À desgarrada, e em vómito, vai também este post, mas como não estou a ditar sentenças nem a mexer com a vida das pessoas, sinto-me livre para o fazer. E chega de Justiça, por hoje. Avancemos para o outro pilar, que insiste em não deixa cair sozinho o semelhante de que atrás falei. Aliás, este é o mais velho dos dois. Se aqui corre mal, na Justiça também nada corre bem. Falo agora da Educação. Os facilitismos para o “olhó passarinho” da fotografia que a Europa nos exige, conduziram a que parte dos nossos alunos – do nosso futuro – cheguem pouco mais que analfabetos às Universidades. A iliteracia impera. Sabem ler, sabem escrever (mal e mal, respectivamente), mas não entendem o que lhes é exigido, o que lhes é perguntado. Perguntam-lhes como está o tempo e eles olham para o relógio. São dez  prás dez, professor. Também aqui abro uma excepção, talvez do tamanho da regra, ou não teria dois ex-alunos a partilhar comigo esta pegada. A maior parte dos meus alunos são óptimos, aprofundam as questões, discutem-nas nas aulas. Defendem-se fervorosamente. Sabem o que querem e para onde querem ir. E eis que chegam as provas escritas. E eis que chegam as provas escritas… E o caldo entorna-se. Tive várias experiências com alunos Erasmus (polacos, romenos, espanhóis). A diferença é patente, manifesta-se até às lágrimas. A Madalina, por exemplo, que vai deixar por aqui as suas pegadas, é romena. Muitas vezes me respondia em inglês às perguntas que eu lançava em português. Raras vezes não era a primeira. Falo da Roménia, note-se (que acabou com o que a atentava bem mais tarde do que nós). Lembro-me de um ano em que três espanhóis responderam em português quase perfeito às questões que em português lhes eram colocadas nas frequências.

E onde pára a culpa de tudo isto? Remonta aos papás, que consolam os seus rebentos com a última consola da moda. Lá em casa parece que os livros são proibidos (não prescindem é de filhos dótores). E não vou ser eu, por mais que tente, que vou dar a volta a tudo isso. Como raio vou obrigar um aluno a perceber o que é uma norma jurídica, se eles não percebem as normas que regem a língua que falam? Acresce que, nos últimos anos, muitas excepções à parte, tenho tido alunos resignados. Tenho tido demasiados alunos conformados com o futuro que este país lhes reserva. Licenciatura de Bolonha, mestrado de Bolonha, desemprego de Bolonha. Lamento muito, mas daqui pouco posso fazer. Agora temos um Ministro da Educação que fez de bandeira de vida a exigência. Que se insurgiu contra o facilitismo nas provas de matemática. Agora, e por isso me interessa cada vez menos a paleta de cores da política, vamos ser ver se ele aproveita para acabar com este forrobodó do ensino a metro para alemão ver. So he can talk the talk but can he walk the walk? Vamos ver se deixamos de querer ser os melhores alunos da Europa para passarmos a ter os melhores alunos da Europa.  

Esta coisa já vai assim um bocadinho para o longa (é de borla, o eufemismo), mas não posso terminar sem desdizer o que vai em título. Portugal tem gente que pode contrariar o poeta e fazê-lo, daqui a uns anos, parecer que fala de um país que já não é assim. Portugal pode ser mais do que o sol, o sal, o sul. Basta extirpar este país dos fome-negras que nos dão mau nome, dos políticos que se governam, daqueles que, de Maquiavel em punho, e na expressão, aqui descontextualizada, de Laars Saabye Christensen, mentem cingindo-se à verdade (coisa que agora entrou mesmo na moda).

Como dizia um aluno meu, este ano, e aqui reabro o parêntesis das excepções, aqui reabro a minha mágoa (homens e mulheres capazes não nos faltam, o país é que não lhes dá uso): "há que acordar!, não com a singela vontade de arranjar emprego para aguentar os meses que se sucedem, mas com a vontade de arranjar trabalho para esta gente toda". Ele, do alto dos seus 18 anos ou coisa que o valha, sei que vai caminhar o caminho que traçou.

E nós?  Continuamos assim? Olhando para este nosso país como um “golpe até ao osso”? Ajuntamento pontual de “perdigueiro[s] marrado[s] e sem narizes, sem perdizes”.

“Meu remorso”? Herança dos nossos filhos?

 

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