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A pegada não morreu; apenas deslocámos a maior parte das nossas pegadas para o facebook. Enorme pecado, bem sabemos; mas por estes instantes, em que o tempo não abunda, é mais fácil interagir e publicar ali. Esta nossa casa não desaparece; será sempre a referência principal e o lugar das pegadas mais profundas. No entretanto, e quando não nos virem por aqui, é porque estamos aqui:pegadabook. Cliquem no link (não é necessário ter facebook para ler, apenas para comentar) e/ou façam like acima. A todos os leitores e ao sapo, que nunca nos falhou, pedimos desculpa. É coisa de momentos; a pegada será sempre aqui. Aqui é a regra, este anúncio não revela mais do que uma excepção. Já agora, e também no facebook, mas numa onda diferente -- e em que todos os leitores podem ser autores --, visitem o ouvir & falar.

 

 



A pureza do Zé Manel

por Licínio Nunes, em 30.08.13
And if the building's burning move towards that door
But don't put the flames out
There's a bit of magic in everything
And then some loss to even things out


Lou Reed -- Magic And Loss


Como me acontece com frequência, li o artigo do José Manuel Pureza no Diário de Notícias, concordando com virtualmente todas as frases e discordando de algo difícil de definir.

Começo pois por uma citação cuja origem continua pouco definida: "...filhos de puta, mas os nossos filhos de puta...". Eis então um nó górdio do BE, da cultura de protesto do BE e, por extensão, de todas as correntes de esquerda com as quais sempre me identifiquei: o compromisso.

Melhor dizendo, a incapacidade escatológica de, pura e simplesmente, considerar a possibilidade do compromisso, provavelmente porque isso implicaria uma perda de pureza, o que, diga-se de passagem, para o Zé Manel representaria um grande problema. Ironias à parte, o facto simples é que a cultura de protesto, entendida no seu sentido mais lato, é responsável por alguns dos, ou quase todos, grandes saltos civilizacionais dos últimos cinquenta anos.

Facto simples também, é que a cultura de protesto funciona quando o capitalismo funciona, ou no mínimo, mais ou menos. Quando deixa de funcionar, como acontece na nossa situação actual, as suas formas de actuação deixam de funcionar. Tornam-se bizantinas, sem por isso perderem a substância. Simplesmente, não levam a lado nenhum e só convencem aqueles que à partida já estavam convencidos. A cultura de protesto transforma-se em pouco mais do que a contemplação do próprio umbigo.

Mas, se aceitarmos a origem mais comum da citação a respeito dos tais "...nossos filhos da puta...", é caso para dizer que, sem a impureza de Franklin Roosevelt — quem tiver dúvidas, que vá à internet e procure, por exemplo 'democratas sulistas' — a pureza de todos nós, assentaria hoje nos critérios raciais de Adolfo Hitler.

Mas o assunto é a situação síria, e eu não vou fugir ao assunto. Ouvi os tambores da guerra a rufar, como todos, mesmo os mais distraídos. Fiquei com a impressão de que, se calhar, o José Rodrigues dos Santos leva aviõeszinhos para a banheira, para brincar durante o banho, mas o assunto não é este. A utilização de armas químicas é dos poucos tabus que restam, na cena internacional. A proibição destas armas data de 1925, no rescaldo da matança da Primeira Guerra. Por isso, neste momento, a questão para mim é simples: o que é que colocamos num dos pratos da balança e o que é que colocamos no outro?

E o fiel da balança tem uma localização simples. Fica em Nova Iorque, num arranha-céus de vidro e aço, e costumamos chamar-lhe Conselho de Segurança das Nações Unidas. Não tem qualquer traço de pureza. Foi concebido na lógica e pela lógica das potências nucleares. Com todas as suas limitações, é das poucas coisas que nos separam da barbárie. Que fale então a voz dos diplomatas, que esses nunca tiveram dúvidas a respeito dos méritos do compromisso. E enquanto eles falarem, não falam os canhões.


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publicado às 13:30



 

 

 

 

 

 

 

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