O Estado gigante a que chegamos, ironicamente, não chega a onde devia. Á Justiça, por exemplo e aos dois milhões de pobres que sempre tivemos.
O Estado devia ser muito mais regulador do que interventor, na economia, por exemplo. Compreendo que se mantenha nas actividades económicas estratégicas ( a Caixa Geral de Depósitos, orientada para as PMEs e para a exportação) mas devia sair dos "jogos de controlo accionista" que só servem para dar cobertura aos grupos privados do regime.
"A diminuição do número de deputados, associada a um sistema de "voto preferencial opcional", e um Estado-garantia em vez de um Estado-prestador são ideias defendidas por Pedro Passos Coelho enquanto recandidato à liderança do PSD."
No que respeita ao papel do Estado, o primeiro-ministro e presidente do PSD afirma ser a favor de "uma opção que repudia o Estado todo-poderoso que tudo pretende resolver, mas que afasta qualquer noção de Estado mínimo".
Quanto às políticas sociais, escreve: "Em especial na saúde e na educação, precisamos de um Estado que garanta o fornecimento de serviços públicos de excelência, num quadro de liberdade de opção pelos cidadãos e de sã complementaridade entre os vários prestadores desses serviços, assegurando-se que nenhum cidadão deixe de aceder a serviços de qualidade por razões económicas. Urge, pois, redesenhar o Estado Social, orientando-o mais na acepção de Estado-garantia do que na dimensão de Estado-prestador".
Um Estado à medida dos outros Estados Europeus, menos asfixiante, mais no centro da Sociedade que por cima dela!
O frio atrasou a floração da amêndoa no Douro assim dificultando um dos melhores cartazes do Turismo da Região. Só nos vales dos rios, Sabor, Côa e Douro, mais abrigados do frio e do vento, a floração poderá acontecer com duas semanas de temperaturas mais amenas.
O orçamento para as festas da "Amêndoa em flor" é este ano bem mais contido, ronda os dezasseis mil euros, com a excepção do município de Vila Nova de Foz Côa que vai investir 120 mil euros na organização da Festa da Amendoeira e dos Patrimónios da Região do Douro Superior e Vale do Côa. O certame está agendado para 24 de Fevereiro e 11 de Março.
O gigante está entre os dez maiores parceiros nacionais. As exportações portuguesas para a China aumentaram 67,0% em 2011, sendo o mercado onde mais crescemos em termos de exportação. A Argélia foi o segundo mercado que mais cresceu ( 66,8%) seguida do Japão (50%) e Moçambique (44,4%).
Em termos absolutos, Alemanha, Espanha, França e Angola foram os mercados que mais cresceram, mas em percentagem ficaram-se pelos 22%.
Desde 2009 as nossas exportações para a China mais do que duplicaram, atingindo pela primeira vez a fasquia dos dois milhões de dólares. Em 2009 a China era o 16º mercado de Portugal e em 2000 ocupava o 33º.
Porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa diz que o processo acarreta morosidade - Fim dos feriados religiosos pode ser adiado para 2013.
Enquanto o 5 de Outubro e o 1.º de Dezembro desaparecem do calendário dos feriados, o fim dos feriados religiosos pode ser adiado para 2013 por este Governo, que está de joelhos perante as sotainas, desprezando a laicidade a que é obrigado e traindo o regime – a República –, cuja data emblemática é o 5 de Outubro.
A laicidade é uma conquista republicana que defende a liberdade religiosa e a paz.
Enquanto os judeus ortodoxos se agarram à Tora e à faixa de Gaza, os muçulmanos debitam o Corão e se viram para Meca e os cristãos evangélicos dos EUA ameaçam a laicidade e a teoria evolucionista, os conflitos religiosos e o terrorismo assustam a Europa.
A emancipação do Estado face à religião iniciou-se em 1648, após a guerra dos 30 anos, com a Paz da Vestfália e ampliou-se com as leis de separação dos séc. XIX e XX, sendo paradigmática a lei de 1905, em França, que instituiu a laicidade do Estado.
A libertação social e cultural do controle das instituições e símbolos religiosos foi um processo lento e traumático que se afirmou no séc. XIX e conferiu à modernidade ocidental a sua identidade.
A secularização libertou a sociedade do clericalismo e fez emergir direitos, liberdades e garantias individuais que são apanágio da democracia. A autonomia do Estado garantiu a liberdade religiosa, a tolerância e a paz civil.
Não há religiões eternas nem sociedades seculares perpétuas. As três religiões do livro, ou abraâmicas, facilmente se radicalizam. O proselitismo nasce na cabeça do clero e medra no coração dos crentes.
Os devotos creem na origem divina dos livros sagrados e na verdade literal das páginas vertidas da tradição oral, com a crueza das épocas em que foram impressas.
Os fanáticos recusam a separação da Igreja e do Estado, impõem dogmas à sociedade e perseguem os hereges. Odeiam os crentes das outras religiões, os menos fervorosos da sua e os sectores laicos da sociedade.
Em 1979, a vitória do ayatollah Khomeni, no Irão, deu início a um movimento radical de reislamização que contagiou Estados árabes, largas camadas sociais do Médio Oriente e sectores árabes e não árabes de países democráticos.
Por sua vez o judaísmo, numa atitude simétrica, viu os movimentos ultraortodoxos ganharem dinamismo, influência e armas, empenhando-se numa luta que tanto visa os palestinianos como os sectores laicos.
O termo «fundamentalismo» teve origem no protestantismo evangélico norte-americano do início do séc. XX. Exprimiu o proselitismo, recusa da distinção entre o sagrado e o profano, a difusão do deus apocalíptico, cruel, intolerante e avesso à modernidade, saído da exegese bíblica mais reacionária. Esse radicalismo não parou de expandir-se e já contamina o aparelho de Estado dos EUA.
O catolicismo, desacreditado pela cumplicidade com regimes obsoletos (monarquias absolutas, fascismo, ditaduras várias), debilitou-se na Europa e facilitou a secularização. O autoritarismo e a ortodoxia regressaram com João Paulo II (JP2) e Bento XVI (B16), que enterraram o concílio Vaticano II e recuperaram o Vaticano I e o de Trento.
Os dois últimos pontífices transformaram a Igreja católica num instrumento de luta contra a modernidade, o espírito liberal e a tolerância das modernas democracias. Tem sido particularmente feroz na América latina e autoritária e agressiva nos Estados onde o poder do Vaticano ainda conta, através de movimentos sectários de que Bento XVI foi herdeiro e protetor, ou esteve na sua génese.
A passagem pelo poder de líderes políticos que explicitaram publicamente a sua fé, em países com fortes tradições democráticas (EUA e Reino Unido), foi um estímulo para os clérigos e um perigo para a laicidade do Estado. Por outro lado deram um mau exemplo aos países saídos de velhas ditaduras (Portugal, Espanha, Polónia, Grécia, Croácia), facilmente disponíveis para novas sujeições.
A interferência da religião no Estado deve ser vista, tal como a intromissão militar, a influência tribal ou as oligarquias – uma forma de despotismo que urge erradicar.
A competição religiosa voltou à Europa. As sotainas regressam. Os pregadores do ódio sobem aos púlpitos. A guerra religiosa é uma possibilidade a que os Estados laicos têm de negar a oportunidade. Só o aprofundamento da laicidade nos pode valer.
E Portugal vai por mau caminho.
Carlos Esperança – Coimbra, 29 de Fevereiro de 2012
Vamos a isto!
Eugénio de Andrade é natural do Concelho do Fundão. A Câmara Municipal disponibilizou-se para acolher o espólio do poeta, antigos manuscritos, obras de arte e outras peças do escritor que por agora estão à guarda do Município do Porto na casa onde o poeta viveu na Rua do Passeio Alegre, 584.
Depois da dissolução da Fundação Eugénio de Andrade, em Setembro, a chave da casa foi entregue à Câmara do Porto, mas no imóvel vive ainda uma família, legatária do poeta.
Os interessados ainda não se entenderam quanto à desocupação do local.
A câmara Fundanense disponibiliza-se para acolher o espólio " em permanência, quer na casa interpretativa, dedicada a Eugénio de Andrade, na sua aldeia natal, Póvoa de Atalaia, quer nos espaços da biblioteca municipal, baptizada com o nome do poeta.
Ainda não ouvi o Senhor Primeiro Ministro pronunciar-se sobre o novo desvio colossal por ajuste directo, na Madeira. A unidade partidária oblige?!... as promessas de mau pagador, também.
A Grécia e também Portugal não estavam preparados para entrar no euro, diz Krugman. Foi um erro, haveria menos carros na rua mas menos pessoas desempregadas.
A impossibilidade de desvalorizar a moeda para ganhar produtividade é uma "prisão terrível" e Portugal não tem opção a não ser um passo ainda mais radical. Sair do Euro!
Se a economia não arrancar já em 2013, tudo irá por água abaixo e aí Portugal terá que dizer não a mais austeridade. A opção de sair do euro é, nesse caso, uma opção bem real, como já é para a Grécia.
Realizado em 1906, só em 1928 Malhoa voltaria a se auto-retratar. Neste olhar introspectivo o artista desenha-se com uma certa altivez, cujo rosto se apresenta escurecido de um dos lados. É notória a despreocupação mimética dos trajes, como em muitos outros retratos, com excepção do laço que acabou por ficar associado à sua imagem.
A Siemens ajudou a Grécia a ir à falência com contratos ruinosos e chorudas comissões, mas agora vão assinar um pacto que para a Siemens é de "auto purificação" e para a Grécia de " integridade", prometendo enterrar o passado e reiniciar uma relação transparente.
De facto, a Siemens, à semelhança de grandes empresas como a Daimler, a MAN ou a Ferrostal, depois de terem subornado copiosamente, anos a fio, os dirigentes gregos a fim de conseguirem contratos apetecíveis, como foi o caso da modernização da rede telefónica helénica, do sistema de segurança dos JO 2004, ou do envio de submarinos, estão na base do sistema de corrupção que hoje ameaça levar Atenas à falência.
Isto é, juntando a Siemes à Goldman Sachs e sentando-os à mesa com os dirigentes Gregos temos aí grande parte dos culpados da actual situação Grega!
O pequeno filho-da-puta
é sempre
um pequeno filho-da-puta;
mas não há filho-da-puta,
por pequeno que seja,
que não tenha
a sua própria
grandeza,
diz o pequeno filho-da-puta.
no entanto, há
filhos-da-putaque nascem
grandesefilhos-da-puta
que nascem pequenos,
diz o pequeno filho-da-puta.
de resto,
os filhos-da-puta
não se medem aos
palmos,diz ainda
o pequeno filho-da-puta.
o pequeno
filho-da-puta
tem uma pequena
visão das coisas
e mostra em
tudo quanto faz
e diz
que é mesmo
o pequeno
filho-da-puta.
no entanto,
o pequeno filho-da-puta
tem orgulho
em ser
o pequeno filho-da-puta.
todos os grandes
filhos-da-puta
são reproduções em
ponto grande
do pequeno
filho-da-puta,
diz o pequeno filho-da-puta.
dentro do
pequeno filho-da-puta
estão em ideia
todos os grandes filhos-da-puta,
diz o
pequeno filho-da-puta.
tudo o que é mau
para o pequeno
é mau
para o grande filho-da-puta,
diz o pequeno filho-da-puta.
o pequeno filho-da-puta
foi concebido
pelo pequeno senhor
à sua imagem
e semelhança,
diz o pequeno filho-da-puta.
é o pequenofilho-da-puta
que dá ao grande
tudo aquilo de que
ele precisa
para ser o grande filho-da-puta,
diz o
pequeno filho-da-puta.
de resto,
o pequeno filho-da-puta vê
com bons olhos
o engrandecimento
do grande filho-da-puta:
o pequeno filho-da-puta
o pequeno senhor
Sujeito Serviçal
Simples Sobejo
ou seja,
o pequeno filho-da-puta.
No dia 29 de Fevereiro de 1792 nasceu, em Pésaro, o compositor italiano Gioachino Rossini, que compôs 39 óperas, assim como diversos trabalhos para música sacra e música de câmara. Recebeu as suas primeiras lições musicais do pai, que tocava trompa e trompete na orquestra local. O pai de Rossini simpatizava com a Revolução Francesa e deu as boas-vindas às tropas de Napoleão quando invadiram o norte da Itália. Isto tornou-se um problema quando os austríacos restauraram o antigo regime, em 1796. O pai de Rossini foi preso e a mãe foi para Bolonha com o filho, onde ganhava a vida como cantora nos diversos teatros da região.
Aos catorze anos, Rossini matriculou-se no liceu musical da cidade e apaixonou-se pelas composições de Haydn e Mozart, mostrando grande admiração pelas óperas de Cimarosa. Estudou violoncelo no Conservatório de Bolonha. Em 1807 é admitido nas aulas de contraponto do padre Stanislao Mattei.
Em 1810 abandonou o conservatório e seguiu para Veneza, onde estreou a sua primeira ópera, “La Cambiale di Matrimonio”. A visão de Rossini sobre recursos orquestrais não é geralmente atribuída às regras de composição estritas que aprendeu com Mattei, mas aos conhecimentos adquiridos independentemente, ao seguir as sinfonias e quartetos de Haydn e Mozart. Em Bolonha, era conhecido como "il Tedeschino" ("o alemãozinho") por causa da sua devoção a Mozart. Instalou-se em Paris em 1855, onde a sua casa era um centro da sociedade artística. Faleceu na sua casa de campo em Passy numa sexta-feira, 13. No mês de Novembro de 1868.
Esta sequência de declarações da Troika e de Olli Rehn fazem-me lembrar Dupond e Dupont. Temos de animar o moribundo, diz o primeiro, eu diria mais, temos de animar o moribundo, diz o segundo.
Recebi este interessante texto de um militar brasileiro de alta patente e na reserva. Passo a comentar:
"Cada um é responsável por todos. Cada um é o único responsável. Cada um é o único responsável por todos." Fonte - Piloto de Guerra – Autor: Antoine de Saint-Exupéry
Ao dito General português, ao escrever
“(...) Diz o Sr. Ministro que “a solução está em todos nós. Em cada um de nós”. Não é verdade! A solução está única e exclusivamente na substituição da classe política incompetente que nos tem governado (?) nos últimos 25 anos, e que nos tem levado, de vitória em vitória, até à derrota final! Os comuns cidadãos deste País, nomeadamente os militares, não têm qualquer responsabilidade neste descalabro (...)”,
Escapa-lhe um pequeno mas decisivo detalhe: fomos todos nós, os comuns cidadãos dos nossos respectivos estados membros da UE que votámos nessa classe política que nos tem levado ao atoleiro. Com efeito, fomos nós que acreditamos nas promessas vãs que o idílio de antes pudesse continuar sem mudanças de comportamento. O General esquece, também, que os militares fazem parte integrante das sociedades, sendo corresponsáveis pelos mandos ou desmandos de todos, tal como qualquer outro cidadão. Com efeito, a responsbilidade é sempre de todos e tem que ser expressamente admitida antes que se possa pensar em qualquer solução viável.
Quanto à solução a que neste caso o Sr. Ministro da Defesa se refere, ela vem aí “voando em piloto automático”, prometendo um desfecho igualmente automático que de feliz terá pouco ou mesmo nada.
A verdadeira solução de desfecho feliz, só será alcançada se a referida classe política desligar o “pilóto automático” programado para ir para nenhures, antes que se acabe o combustível longe de qualquer aeroporto no meio do oceano. Sim, a classe política, se quer evitar o novo 25 de Abril a nível europeu, vaticinado por mim desde há longa data, deverá urgentemente abandonar a mera táctica e passar a elaborar uma estratégia correcta.
O texto está no sítio da Academia Brasileira de Defesa.
| Carta de um General português.pdf 152K Visualizar Transferência |
As escolas cada vez mais apostam neste tipo de recrutamento.Também o ISEG terá a sua Careerweek 2012 a decorrer nos dias 6,7 e 8 de Março, um evento que, além da Job Fair com ‘stands' de empresas participantes, incluirá ‘workshops' de desenvolvimento de carreira. Para além disso a escola criou uma cadeira a que chama "Preparação para a procura de emprego" . Uma formação de 15 horas onde são apresentadas técnicas de construção de currículo e cartas de apresentação, debatidas posturas e estratégias dos futuros candidatos em situação de entrevistas e ao longo das várias etapas do processo de selecção. Porém, "o ponto forte da unidade reside na construção de um processo de auto-reflexão com a ajuda da docente" para a construção de uma carreira profissional sólida, explica Sofia Bento, a docente responsável por esta unidade curricular.
... devemos rejeitar que, tal como muitas vezes acontece, os menos capazes e competentes se apoiem e em conjunto fechem as portas das estruturas civis e políticas, com receio de perderem as oportunidades que têm como suas...
A educação e a formação têm que mudar. Continuamos com modelos de ensino demasiado rígidos. A palavra autonomia, seja nas universidades e nos politécnicos, seja nas escolas...é a chave para uma evolução e um desenvolvimento curricular que se pode traduzir em melhorias na formação dos estudantes.
A criatividade intelectual não é promovida no nosso sistema de ensino...para que se possa maximizar o potencial de cada um. É urgente que adaptemos dentro do possível a educação e a formação às exigências, necessidades, potencialidades e interesses de cada estudante. Esta adaptação tem que se reflectir nos currículos em primeiro lugar e de seguida também nos métodos de avaliação.
PS: Luis Rebelo , Público
Numa manhã de sol radioso
Que entra pela porta aberta
Pode ser a neblina silenciosa
Quem sabe se a coisa certa
Um sorriso quente gracioso
Que se abre bem desperto
Pode ser a suave magia
O despertar para doutro dia
Quem sabe se a coisa certa
Um olhar manso distraído
Energia em campo aberto
Pode ser uma abertura
Com toda a sua candura
Quem sabe se a coisa certa
Pode ser o pouco que me dava
A mão amiga que me afaga
Enviaram-me isto e agradeço ao remetente.
O poema é sublime e acerta totalmente na actual situação da crise de sentido – da qual as crises económica e monetária, tidas erradamente como a causa das causas, são meros sintomas cujo tratamento não só não resolve mas também agrava a crise.
Sempre actual, este senhor !
CINCO QUADRAS DO ANTÓNIO ALEIXO
Acho uma moral ruim
trazer o vulgo enganado:
mandarem fazer assim
e eles fazerem assado.
Sou um dos membros malditos
dessa falsa sociedade
que, baseada nos mitos,
pode roubar à vontade.
Esses por quem não te interessas
produzem quanto consomes:
vivem das tuas promessas
ganhando o pão que tu comes.
Não me dêem mais desgostos
porque sei raciocinar...
Só os burros estão dispostos
a sofrer sem protestar!
Esta mascarada enorme
com que o mundo nos aldraba,
dura enquanto o povo dorme,
quando ele acordar, acaba.
Rudemente, sem rodeios, Mário Dragi o Presidente do BCE veio dar uma estocada que se não é final anda lá próxima. "Para Mario Draghi, antigo banqueiro na Goldman Sachs e novo comandante da moeda europeia, salvar o euro terá um preço elevado. Na sua opinião, não há “escapatória” possível e vai ser preciso pôr em prática políticas muito duras de austeridade em todos os países sobre-endividados e isso implica renunciar a um modelo social baseado na segurança do emprego e numa redistribuição social generosa."
Já não escondem, a meta é acabar com o Modelo Social Europeu!
"Esse modelo em que a Europa baseou a sua prosperidade desde a Segunda Guerra Mundial desapareceu (“has gone”), afirma Mario Draghi lembrando aos jornalistas do WSJ a fórmula do economista alemão Rudi Dornbusch: “Os europeus são tão ricos que se podem dar ao luxo de pagarem às pessoas para não trabalharem”.
José Malhoa :“As Promessas”, com data de 1933, é um quadro a óleo que de algum modo constitui a síntese e o corolário da pintura de Malhoa, seja pelo domínio técnico alcançado, seja pela abordagem aos valores da luz e da cor na sua crueza e alacridade, seja essencialmente pelo tratamento dos motivos das vivências populares.
Nesta tábua, para a qual, em 1927, fizera um excepcional estudo a pastel, o pintor reúne, num momento único de tempo de festa do calendário rural, um conjunto de temáticas que desenvolveu ao longo da sua pintura de costumes. Aqui temos a festa religiosa, a que não faltam os signos da fé, mas também todo um enquadramento pagão, que diríamos saído de muitos outros quadros do artista. E, nos longes, o apontamento da paisagem em montes azulados pela distância. Síntese, afinal, da pintura de Malhoa, do seu discurso de alegrias e dores, plena dos contrastes lumínicos e da presença do colorido intenso dos trajes das mulheres, tudo isto suportado pela irregularidade seca dum terreno ocre, sob um céu límpido estival.
Revela-se uma obra fundamental servida pela excelente técnica dum grande pintor.
O grande problema da União Europeia é a falta de integração política entre os Estados membros. Nos Estados Unidos a moeda comum funciona porque há uma integração política que leva a uma integração orçamental.
Portugal vai ter que baixar os salários em referência à Alemanha e não ao nível da China, porque com esta não há qualquer termo de comparação. Portugal não é a China.
Há sempre uma noite terrível para quem se despede
do esquecimento. Para quem sai,
ainda louco de sono, do meio
do silêncio. Uma noite
ingénua para quem canta.
Deslocada e abandonada noite onde o fogo se instalou
que varre as pedras da cabeça.
Que mexe na língua a cinza desprendida.
E alguém me pede: canta.
Alguém diz, tocando-me com seu livre delírio:
canta até te mudares em cão azul,
ou estrela electrocutada, ou em homem
nocturno. Eu penso
também que cantaria para além das portas até
raízes de chuva onde peixes
cor de vinho se alimentam
de raios, seixos límpidos.
Até à manhã orçando
pedúnculos e gotas ou teias que balançam
contra o hálito.
Até à noite que retumba sobre as pedreiras.
Canta - dizem em mim - até ficares
como um dia órfão contornado
por todos os estremecimentos.
E eu cantarei transformando-me em campo
de cinza transtornada.
Em dedicatória sangrenta.
Há em cada instante uma noite sacrificada
ao pavor e à alegria.
Embatente com suas morosas trevas.
Desde o princípio, uma onde que se abre
no corpo, degraus e degraus de uma onda.
E alaga as mãos que brilham e brilham.
Digo que amaria o interior da minha canção,
seus tubos de som quente e soturno.
Há uma roda de dedos no ar.
A língua flamejante.
Noite, uma inextinguível
inexprimível
noite. Uma noite máxima pelo pensamento.
Pela voz entre as águas tão verdes do sono.
Antiguidade que se transfigura, ladeada
por gestos ocupados no lume.
Pedem tanto a quem ama: pedem
o amor. Ainda pedem
a solidão e a loucura.
Dizem: dá-nos a tua canção que sai da sombra fria.
E eles querem dizer: tu darás a tua existência
ardida, a pura mortalidade.
Às mulheres amadas darei as pedras voantes,
uma a uma, os pára-
-raios abertíssimos da voz.
As raízes afogadas do nascimento. Darei o sono
onde um copo fala
fusiforme
batido pelos dedos. Pedem tudo aquilo em que respiro.
Dá-nos tua ardente e sombria transformação.
E eu darei cada uma das minhas semanas transparentes,
lentamente uma sobre a outra.
Quando se esclarecem as portas que rodam
para o lugar da noite tremendamente
clara. Noite de uma voz
humana. De uma acumulação
atrasada e sufocante.
Há sempre sempre uma ilusão abismada
numa noite, numa vida. Uma ilusão sobre o sono debaixo
do cruzamento do fogo.
Prodígio para as vozes de uma vida repentina.
E se aquele que ama dorme, as mulheres que ele ama
sentam-se e dizem:
ama-nos. E ele ama-as.
Desaperta uma veia, começa a delirar, vê
dentro de água os grandes pássaros e o céu habitado
pela vida quimérica das pedras.
Vê que os jasmins gritam nos galhos das chamas.
Ele arranca os dedos armados pelo fogo
e oferece-os à noite fabulosa.
Ilumina de tantos dedos
a cândida variedade das mulheres amadas.
E se ele acorda, então dizem-lhe
que durma e sonhe.
E ele morre e passa de um dia para outro.
Inspira os dias, leva os dias
para o meio da eternidade, e Deus ajuda
a amarga beleza desses dias.
Até que Deus é destruído pelo extremo exercício
da beleza.
Porque não haverá paz para aquele que ama.
Seu ofício é incendiar povoações, roubar
e matar,
e alegrar o mundo, e aterrorizar,
e queimar os lugares reticentes deste mundo.
Deve apagar todas as luzes da terra e, no meio
da noite aparecente,
votar a vida à interna fonte dos povos.
Deve instaurar o corpo e subi-lo,
lanço a lanço,
cantando leve e profundo.
Com as feridas.
Com todas as flores hipnotizadas.
Deve ser aéreo e implacável.
Sobre o sono envolvida pelas gotas
abaladas, no meio de espinhos, arrastando as primitivas
pedras. Sobre o interior
da respiração com sua massa
de apagadas estrelas. Noite alargada
e terrível terrível noite para uma voz
se libertar. Para uma voz dura,
uma voz somente. Uma vida expansiva e refluída.
Se pedem: canta, ele deve transformar-se no som.
E se as mulheres colocam os dedos sobre
a sua boca e dizem que seja como um violino penetrante,
ele não deve ser como o maior violino.
Ele será o único único violino
Porque nele começará a música dos violinos gerais
e acabará a inovação cantada.
Porque aquele que ama nasce e morre.
Vive nele o fim espalhado da terra.
herberto helder
lugar (poema II)
poesia toda
assírio & alvim
No dia 28 de Fevereiro de 1894, em São João da Boa Vista, no estado de São Paulo, nasceu Guiomar Novaes, considerada a maior pianista brasileira e uma das maiores celebridades nos meios musicais da Europa e dos Estados Unidos, no início do século XX.
Cresceu no seio de uma família de 19 crianças e num ambiente religioso. O piano, presente na sua casa e utilizado nas aulas das suas irmãs mais velhas, despertou o interesse de Guiomar, que, aos 4 anos, começou a tocá-lo de ouvido. Esperava que as irmãs deixassem o teclado para se sentar e tocar "até os dedos doerem". Aos 8 anos tocava com precisão técnica e notável sensibilidade interpretativa.
Em 1909, aos 15 anos, com a ajuda do Governo do Estado de São Paulo, partiu para a Europa para tentar uma vaga no Conservatório de Música de Paris. Avaliada por um júri formado por músicos como Debussy, Moszckowski e Fauré, foi escolhida como a candidata com os melhores dotes artísticos. Entre as peças que tocou na prova estava a Balada nº 3, de Chopin. No final da prova, Debussy pediu à menina que tocasse novamente a balada. Ficou em 1º lugar. Em Julho de 1911, na prova de encerramento do curso, venceu a prova, que contava com 35 concorrentes, e ganhou o primeiro prémio, que compreendia a quantia de 1200 francos e um piano de cauda.
Depois de deixar o Conservatório de Paris, teve várias ofertas de contractos, tocando em Paris, Londres, Genebra, Milão e Berlim. Em 1913, regressou ao Brasil e apresentou-se no Teatro Municipal de São Paulo e no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Com a orquestra de Gabriel Pierné, Guiomar Novaes percorreu toda a Europa. A Primeira Guerra Mundial obrigou-a a voltar a São Paulo – mas no ano seguinte estabeleceu-se nos Estados Unidos, onde construiu uma importante carreira. Em 1967 foi convidada pela rainha Isabel II de Inglaterra para dar um recital em Londres.
Além de ter sido grande divulgadora da obra do seu compatriota Heitor Villa-Lobos, foi especialmente brilhante a interpretar Schumann e Chopin.
Em Janeiro de 1979, Guiomar Novaes sofreu um derrame cerebral e o seu estado de saúde começou a degradar-se. Veio a falecer a 7 de Março de 1979, aos 85 anos, vítima de enfarte de miocárdio.