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A pegada não morreu; apenas deslocámos a maior parte das nossas pegadas para o facebook. Enorme pecado, bem sabemos; mas por estes instantes, em que o tempo não abunda, é mais fácil interagir e publicar ali. Esta nossa casa não desaparece; será sempre a referência principal e o lugar das pegadas mais profundas. No entretanto, e quando não nos virem por aqui, é porque estamos aqui:pegadabook. Cliquem no link (não é necessário ter facebook para ler, apenas para comentar) e/ou façam like acima. A todos os leitores e ao sapo, que nunca nos falhou, pedimos desculpa. É coisa de momentos; a pegada será sempre aqui. Aqui é a regra, este anúncio não revela mais do que uma excepção. Já agora, e também no facebook, mas numa onda diferente -- e em que todos os leitores podem ser autores --, visitem o ouvir & falar.

 

 



Madrinha, minha avó querida,

por Rogério Costa Pereira, em 31.07.10

Não me morreste!, não morreste a nenhum destes que aqui estão. Vim a toque de caixa – como dirias – ver se estavas em paz. Bem sei o pouco que gostavas de mariquices, como dizias. Detestavas carpideiras e afins. Se fosses tu a mandar, teria gozado as minhas férias até ao fim. Não vim chorar-te, descansa. Vim beijar-te e ver se estava tudo à tua medida. E ainda bem que vim. Estavas com as mãos como os cangalheiros as põem, enrodilhadas num terço. Cheguei tarde – estava longe – e estavam já cimentadas uma à outra, as tuas mãos. Desprendi-tas para que me desses uma. Ajoelhei-me, que o caixão estava baixo. Chorei lágrimas que não sabia que tinha. Fiquei ali algum tempo, a relembrar o que foste, o que me foste. Não rezei. Porque não sei e porque não acredito que estejas num sítio melhor (aqui chamar-me-ias herege). Acredito apenas no que vejo, na tua face serena e sem dor, o oposto do que a morte te obrigou a mostrar nestes últimos dez anos. Estavas hoje como que a dormir, como dormias antes daquela argola maldita em que tropeçaste se ter empecilhado no teu caminho.

A tua filha, a minha mãe, perguntou-me se eu queria uma cadeira. Disse-lhe que não, à tua filha, minha mãe, que hoje se portou como tu te portarias, como uma mulher de ferro. A minha mãe. Levei-te um livro, em homenagem aos muitos que me compraste. Entreguei-te aquele de significado especial, o que marca a minha união com a mulher que nunca conheceste (já não estás cá há muito). Escrevi-te lá umas frases que nunca vais ler. Foram para mim, o egoísta. O mesmo que te enfiou o livro no caixão. E lá ficaste tu, uma mão agarrada ao terço, a outra ao livro que te dei. Ainda assim, e também por isso o fiz, sei que preferirias ser eu a arranjar-te, em vez de um qualquer desconhecido. E só eu, com a sem-cerimónia que te aprendi, o poderia fazer.

Quero dizer-te que fazes parte de mim, que sou à tua imagem. Para o bem e para o mal, e aqui entre nós que raio de feitio me pegaste, só estou aqui hoje, a escrever estas linhas, porque me criaste de forma a não fazer aquilo a que sociedade – esse ajuntamento de homens e mulheres – nos manda. Não sei se era isso que me querias ensinar, mas foi isso que aprendi.

Pouco te visitei nestes dez anos em que me foste morrendo. Fi-lo pelas razões que saberias explicar melhor que eu. Detestarias que te visse assim. Que eu te visse assim. Frágil, dependente, o oposto da mulher que sempre foste. Ainda assim, soltaste o teu sorriso algumas vezes (o teu sorriso bonito – antes do teu bisneto nascer era o mais lindo do mundo). Quando te pus o nosso Francisco de sete dias nas mãos, sorriste-lhe e sorriste-me. Quando te ergui daquele sofá malvado para apanhares sol, sorriste-me. Das vezes em que não me reconheceste, fui-me embora em teu respeito. Por respeito a ti. E quando voltava, contra a vontade que terias e já não tinhas, fazia-o para ver se te apanhava como eras. Não te queria trair, vendo-te como já não eras e como não quererias que te visse. Fi-lo algumas vezes, desculpa, mas a esperança de te ver sorrir era mais forte do que eu.

Hoje, que me dizem que me morreste, no dia em que a carne fenece, depois de te beijar a testa e de te pegar na mão e de chorar como o teu menino chorava, fui percorrer os nossos caminhos. Fui sentir os nossos espaços. Os armários da nossa casa tinham minguado. Estavam pequeninos. Lá continuava aquela lata do pão, azul de tampa branca, donde tiraste o pão para as milhões de sandes que me fizeste. Procurei as facas com que os cortavas – aos pães – e lhes barravas a manteiga. Lá estavam elas, as mesmas. Mexi nos teus pratos, nas tuas louças, subi ao quarto onde já há dez anos não dormias. Estavas em todo o lado.

Fui ao lameiro colher-te uma rosa e coloquei-ta entre os dedos da mão em que permiti o terço.

Estás em todo o lado, meu amor, estás na minha vida todos os dias. Estás aqui a escrever estas linhas, ainda que não pudesses compreender metade delas. Vou ensinar a quem de mim vier o que me foste, também para isso escrevo estas palavras. Vou lê-las na igreja e vou fazer por ouvir a tua tosse cava lá ao fundo. Na mesma igreja para onde me arrastavas. A tosse que era parte do teu ser. Nem imaginas as saudades que tenho te ouvir tossir.

Agora, meu amor – e deixa-me, por uma vez, chamar-te meu amor –, descansa em paz. Ficamos cá para te honrar, para honrar a tua memória e os teus quereres e saberes. A tua menina, minha mãe, que foi tua mãe por dez anos, está em paz. Ela e o teu filho vão cuidar do meu avô, do teu homem. O meu pai, teu genro, está sempre presente, como sempre esteve e está para o que der e vier. A tua neta, minha irmã, vai portar-se à tua altura.  Está uma mulher e tem este irmão para lhe fazer o teu pão com manteiga.

Não prometo não chorar mais, dou hoje comigo de lágrima fácil, mas prometo ensinar-te ao Francisco. Ao contrário do que dizem os sinos que dobram lá fora, não nos morreste. Não és mulher de morrer. Daqui para fora, cada uma das mãos que há-de levar o teu caixão é também a tua, porque sem ti nenhum de nós estaria aqui. Nem nenhum de nós faria como é.

Uma última coisa te digo, para além das muitas que hei-de continuar a dizer de ti. Antes de te ler estas palavras que escrevemos a meias, vou mostrá-las ao meu mundo, para que todos saibam que hoje não morreu uma mulher qualquer. De resto, não nos morreste, apenas nos saíste da vista, o mais aldrabão dos sentidos.

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publicado às 02:00

Pedro Múúúúúúúúúúrias!!!! Espreita aí este ónus da prova, pá!


Com o presente recurso, pretende a Recorrente ver apreciada a inconstitucionalidade das normas constantes dos artigos 1083º nº 2 alínea b), 799º e 762º nº 1, todos do Código Civil, efectivamente aplicadas pelo Tribunal da Relação de Lisboa, com a interpretação que resulta do Acórdão ora recorrido e que se descreve nos parágrafos seguintes, a qual, no entender da Recorrente, viola frontalmente a Constituição da República Portuguesa.


Sumaríssimamente relembrando, o Tribunal de primeira instância, como se pode ler na última página da doutíssima Sentença proferida em 5.3.2008, “No caso dos autos, e face à matéria de facto (não) provada, dúvidas não subsistem de que faleceu a demonstração desta essencial circunstância consubstanciadora do direito de a senhoria obter o despejo do locado – cujo ónus caía naturalmente sobre a Autora.


Na verdade, não ficou demonstrado que a Ré tenha de alguma forma causado a violação reiterada e grave de regras de higiene, sossego e boa vizinhança ou, ainda, proporcionado a prática de actos contrários à lei, ordem pública e bons costumes – e, muito menos, que essa actividade tornasse inexigível a manutenção do arrendamento.


Enfim, provado que está que a Ré continua a usar o locado para o fim previsto no contrato, nos seus termos normais – e que a Autora tem conhecimento deste tipo de actividade comercial desde que é proprietária do prédio...”, concluiu que a pretensão da Autora não podia proceder, não decretando o despejo, assim decidindo absolver a Ré.


Contudo, veio o Acórdão Recorrido surpreendentemente entender que, apesar de na sentença absolutória de primeira instância ter ficado provado que a Ré continuava a usar o locado para o fim previsto no contrato, nos seus termos normais e não obstante não ter ficado demonstrado que a Ré proporcionasse, promovesse ou incentivasse a prática de actos contrários aos bons costumes (prostituição), ainda assim esta “não provou que não é devido à sua tolerância que ali ocorre essa prática infractora ao contrato de arrendamento.”, o que constituiria, nos termos do artigo 799º do Código Civil, seu ónus!

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publicado às 12:43


Agora sem dores, António

por Rogério Costa Pereira, em 30.07.10
"'Bora lá ligar o descomplicómetro e chegar às pessoas. 'Bora lá fazer o que há a fazer, deixem-se de tretas. 'Bora lá fazer de uma ida ao Monumental uma grande festa, com direito a gelado." (António Feio, ao Público - mais tarde ponho o link)
(via BlackBerry®)

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publicado às 11:49

António Feio (1954-2010)

por Isabel Moreira, em 30.07.10

"É o que eu gosto de fazer, não sei fazer mais nada".


E que bem que fazia. 


E que bem que sofria.

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publicado às 10:32


#28 NOJO!

por Rogério Costa Pereira, em 30.07.10

Comentários como este ou este dizem tudo sobre quem os aprova (e também sobre quem, tendo "autoridade" para tal – imagino como funcionam os intestinos do blogue em causa –, não os apaga assim que os vê). Do post (claramente feito ao espelho), retrato fiel de quem o mandou à parede, nem vale a pena falar (por motivos óbvios, não digo ao tipo para ir ler Saramago – ou Paulo Coelho ou bulas de aspirina).

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publicado às 01:43


#29 Feito à imagem de Deus

por Rogério Costa Pereira, em 30.07.10

Ilibado de quê, rapaz? Conta coisas, pá! De que é que o homem era acusado?

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publicado às 00:51


#30 Deus é testemunha, chamem-no!

por Rogério Costa Pereira, em 30.07.10

Parece que "o graçolas de oportunidade" tem muita coisa para contar. Ou isso ou ele próprio não passa de uma graçola dos tempos que correm.

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publicado às 00:40


A justiça que não condena nem absolve

por Rogério Costa Pereira, em 29.07.10

"Essa simulação de justiça, que é a sua própria negação, que nunca condena nem absolve, vai acabar por cair de podre. É a própria justiça que está a desbaratar a sagrada separação de poderes que a protege. Sem responsabilidade, a liberdade perde-se. É isso que a Justiça está a fazer, a entregar-se às mãos daqueles que a vão violentar: os políticos, quando empossados de legisladores. Fá-lo-ão pelas melhores e pelas piores razões, mas só o farão porque a justiça, que devia ser o Estado, se tornou um Estado dentro do Estado.
Feche num quarto escuro um polícia, um procurador e um juiz e veja o que de lá sai: sai sangue, sangue que ensopa nos jornais aos pés dos advogados que ficaram à porta." (Pedro Santos Guerreiro, num dos melhores artigos de sempre sobre estas temáticas)


 


Hoje, tivemos mais um exemplo disto. Já é altura dos senhores procuradores descerem do estrado em que os puseram e de aceitarem, com ou sem amuos, o seu papel de advogados de acusação. Ao lado dos outros advogados. À porta ou lá dentro, mas ao meu lado. A entrar e a sair pelo mesmo sítio.

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publicado às 22:19


Olha, olha...

por Rogério Costa Pereira, em 29.07.10
Este ano parece que é o Liedson a fazer de Stojković.
(via BlackBerry®)

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publicado às 20:18

Eu gostava muito de poder explicar aos senhores Procuradores do Ministério Público que fazem "declarações à imprensa", muito queixosas, que ficou mais uma vez demonstrado, e, desta vez, com a sua especialíssima ajuda, que o Ministério Público tem-nos saído muito caro, mas muito, muito caro, coisa importante de ser dita em qualquer momento e não apenas em época de crise. Impressiona-me que venha da boca de Procuradores do MP, assim, claro, clarinho como água, que por eles este processo continuaria a arrastar-se numa clara perseguição política, com material, que adiantam, que seria chocolate puro, lentamente derretido, claro, para mais e mais páginas inúteis de imprensa especulativa.


Já não têm sequer a decência de esconder, não só da comunidade jurídica, mas de qualquer pessoa com dois dedos de testa, aquela listinha de perguntas absurda? Bravo. É Freeport, é Face Oculta, é casos reabertos com equipas de investigação que dão em nada. E, no final, ninguém, mas ninguém é responsabilizado. Ai, se em matéria de revisão constitucional se falasse de justiça à séria..


Importam-se de trabalhar? O desperdício já vai alto.  


 


Adenda: o comunicado do PGR desmentindo os senhores jornalistas Procuradores

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publicado às 17:20

pelo que "gravíssimo", Daniel,  é continuares a colocar a primeira hipótese.

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publicado às 12:17

Notas soltas sobre a Constituição I

por Isabel Moreira, em 28.07.10

Quando a CRP define, no artigo 80º, alínea b), como princípio a "coexistência do sector público, do sector privado e do sector cooperativo e social de propriedade dos meios de produção" temos de ter em conta que estamos no domínio de um dos princípios da constituição económica, livre, desde 1982, de um texto altamente comprometido, ideológico, fechado. Até então este preceito tinha por epígrafe Fundamento da organização económico-social e lia-se esta preciosidade: A organização económico-social da República Portuguesa assenta no desenvolvimento das relações de produção socialistas, mediante a apropriação colectiva dos principais meios de produção e solos, bem como dos recursos naturais e o exercício do poder democrático das classes trabalhadoras.


Depois da limpeza desta narrativa através das subsequentes revisões constitucionais, este preceito, onde se inscreve a citada alínea, representa o que é um Estado Social de Direito. Trata-se de um quadro normativo aberto, isto é, impõe, claro, limites ao legislador, às suas opções, mas este tem uma larga margem de concretização.


Por exemplo, a alínea que transcrevi aqui traduz um princípio de compatibilidade de iniciativas privada, pública e cooperativa, como explicam Jorge Miranda e Rui Medeiros, por exemplo. Isto significa concorrência entre iniciativas e abertura às iniciativas económicas, seja qual for o carácter do agente (público ou privado).


Quando se enuncia o princípio da compatibilidade quer-se significar que a CRP tanto permite modelos económicos que privilegiem a actividade económica privada como motor da economia, como modelos mais dados à iniciativa pública, mais controladores da economia.


Está em causa, portanto, possibilidade de acção. Tudo depende do governo que, legitimamente, está em funções com o seu programa. É tão legítimo um programa liberal assente na actividade económica privada, que secundarize a actividade pública, como um programa mais socialista que faça o inverso.


Assim, para combater o desemprego, dando um exemplo simples, tanto se pode criar empresas públicas como dar benefícios fiscais a empresas privadas que criem emprego. E não se diga que isto é desmentido pela garantia da coexistência do sector público, privado e cooperativo e social dos meios de produção prevista no artigo 82º da CRP. Esta garantia não obriga a que em cada área de actividade económica tenha de haver bens de produção pertencentes aos referidos sectores. Está apenas em causa a garantia da possibilidade de acesso dos agentes pertencentes a cada um dos sectores a todas as áreas que não estejam legalmente reservadas ao sector público. Tudo isto é assim muito bem explicado pelos Autores referidos  na sua Constituição Portuguesa Anotada.

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publicado às 12:40








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publicado às 11:22

Agora mesmo na TVI

por Isabel Moreira, em 28.07.10

Cavaco Silva, recordando que foi "agente activo" na RC de 1989, explicou o clima de calma e de serenidade em que um processo destes deve decorrer, recordando mesmo o procedimento complexo de aprovação de uma lei de revisão constitucional, desde a criação de uma comissão à necessária aprovação de cada alteração por 2/3 dos Deputados. Antes disso, explicou que o PR está constitucionalmente obrigado a promulgar uma LRC aprovada pela AR e que o PR deve estar, portanto, acima das lutas partidárias, não podendo a sua figura ser utilizada como arma de arremesso político.


É preciso legendas ou o PSD percebe o recado?

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publicado às 00:02

Eu nunca tinha lido o texto que segue do Saramago. Hoje, ao almoço, o meu pai perguntou-me: - já leste esta coisa maravilhosa? E deu-me a ler a carta do Saramago à sua avó. Acabei-a num soluço.


O meu pai, por acaso, nasceu em 1922, em Grijó de Vale Benfeito, uma aldeia, então, perdida em Trás-os-Montes, tão distante, tão rural. A minha avó tinha 16 anos quando o meu pai nasceu e o meu avô 19, gente dada à longevidade, pelo que tive a sorte de ter avós paternos até bastante tarde, coisa que pareceria impossível, dada a idade avançada do meu pai, quando comparada com a idade dos pais dos meus colegas de escola. Isto para dizer que esta carta do Saramago diz-me muito, sei exactamente de que tipo de mulher está a falar, sei daquela ruralidade, sei daquela ligação à terra que Saramago não esqueceu, ouvi da boca dos meus avós, para além do que me transmitiu o meu pai, tanto do que me faz sentido nesta carta. Eis um texto magnífico e nele a possibilidade da intimidade entre o leitor e o escritor. Hoje, o meu dia teve sentido por causa do momento de génio e de autenticidade que se passo a trancrever:


 


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publicado às 14:38

Pilar del Río

por Isabel Moreira, em 27.07.10

Pronto. Está aberto o caminho ao veneno dos especialistas em processos de intenção.

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publicado às 11:57

Por causa deste meu texto que defende Jorge Miranda do que considero ser um ataque de carácter, um insulto, uma calúnia, disfarçada na sempre invocada desculpa de se tratar de uma piada, pois, é sempre só uma piada, tenho lido, mas, sobretudo, têm-me chegado aos ouvidos reacções de palermas que não sabem o que é a liberdade académica.


Explicando, pensam os referidos palermas que o meu texto é um pouco estranho já que eu ataquei de forma muito desabrida a posição de Jorge Miranda sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo (CPMS). Então a rapariga andou aos sete ventos a dizer que o homem não tinha razão nenhuma e agora vem escrever todo um texto em sua defesa? Que coisa mais bizarra!


Quando se discutia o CPMS opus-me violentamente à posição de Jorge Miranda (desde logo num parecer jurídico que foi publicado), sim, cheguei a usar a metáfora, em pleno debate televisivo, de Jorge Miranda estar numa "ilha deserta", perguntando ao meu interlocutor se o queria "ir buscar de barco". Continuo a pensar que a posição de Jorge Miranda sobre o CPMS, que mais tarde veio a ter um ou dois seguidores, no sentido de aquele ser inconstitucional, é indefensável. De resto, encontrei o próprio Professor Jorge Miranda, dias depois do referido debate, e com a liberdade académica de sempre, passei uns agradáveis minutos a debater argumentos, insistindo com o meu Professor de Direito constitucional que ele estava, de facto, numa "ilha deserta".


Isto chama-se liberdade académica, coisa que me parecia fáci de entender e que, tal como expliquei no texto acima citado, foi sempre incentivada pelo próprio Jorge Miranda.


Há no entanto por aí palermas que não entendem a diferença entre discordar, mesmo profundamente, se necessário, de uma pessoa, no caso de um académico com anos de carreira, com obra publicada e arduamente actualizada, com uma seriedade indiscutível, e mentir, em forma de piada, a seu respeito, caluniando-o.


Reafirmo, portanto, porque de facto parece que palermas há muitos, que pôr em causa a autenticidade das posições públicas assumidas por Jorge Miranda é inadmissível.

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publicado às 11:15


Alex: o teu afilhado manda-te um recado de dez dedos

por Rogério Costa Pereira, em 27.07.10

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publicado às 01:44

Da responsabilidade

por Isabel Moreira, em 26.07.10

No outro dia o Professor Gomes Canotilho falou muito sobre responsabilidade. Gosto muito desta palavra. Devia ser dita muitas vezes: responsabilidade. É melhor do que culpa. A culpa paralisa. A responsabilidade obriga a retirar consequências do feito. E aprende-se.

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publicado às 16:40


Dos tomates

por Rogério Costa Pereira, em 26.07.10

Este mundo que me atenta e que faço por não perceber é feito de filhos-da-mãe e filhos-da-puta. O que os distingue é o grau de imputabilidade: os filhos-da-mãe são inimputáveis, já os filhos-da-puta, por mais razão que tenham, ai dos peidos que dão. Como é consabido (os comentários dos meus recentes fãs-cogumelos assim mo garantem), vivo nas berças e, por consequência, tenho um rebanho que pastoreio diariamente – assim faz toda a gente que não vive em Lisboa, anda atrás de ovelhas, cabras e bichos-da-seda, ajudado pelo cão do folclore ordinário. Temos uma A23 ou uma A25, uma A-qualquer, enfim, com que as vacas gordas nos presentearam, após arrasarem as servidões que nos permitiam sair da pasmaceira e ir ver as ondas pela primeira vez – oh céus!, que esta água é salgada. Pediram palmas, sentem-se mesmo no direito de as exigir, os tios de natal das meias brancas com raquetes. E lisboa, feita Portugal, grita: paguem cães!, quando vierem à civilização comprar caramelos, suem euros – ou a moeda que vigorar – pelo caminhos. Ou voltem aos atalhos de cabras das putas que vos foram parindo (e a nós – a eles – incomodando).


(pausa)


Dos filhos-da-mãe. Distingue-os o artigo do Código Penal que diz: “os filhos-da-mãe, ainda que se portem como filhos-da-puta, não serão esquecidos”. Este é o número um, de cominação à laia de ameaça de ajuste de contas. A estatuição real chega logo a seguir. Número Dois: “quem não for filho-da-mãe é filho-da-puta”. E aqui entramos na cena do consuetudinário alfacinha, que toda a gente sabe que o nascido além-sete-colinas tem grande probabilidade de ter mãe meretriz.


(pausa)


Como indicia suavemente o título deste post, este dito devia versar sobre a falta de espinha (coluna vertebral). Devia falar de gente que manda recados, que não tem ervilhas (não se exige mais) para dizer “raio que te parta!, baza!” ao que lhes tropeça as bandejas riscadas de quem os serve. Prometi-me falar da multidão com compromissos que extravasam os pretos-brancos do estar” ‘tá-se bem, desde que não me faças encalhar o mordomo”.


(pausa e outro assunto)


Li agora a carta que a minha Isabel – é minha, sim! (nós, provincianos, somos muito possessivos) – mandou a um fulanito a quem as estradas de portugal convenceram que sabe e que sabe com piada. Disseram-lhe que pode dizer sempre o que lhe vai na gana de forcado de bezerros de leite. Falo do gajo cujo curriculum rebentou por erguer um galhardete num imaginário primeiro degrau dum elevador. Nada de importante, pois. A minha amiga – feita parva – resolveu coçar uma comichão que não estava lá. Fez a vontade à melga que não pode (porque não tem como) morder. À Isabel já mandei um fenistil-placebo (é nívea, não lhe contem), que não vale a pena gastar a pele com tão fraca desculpa.


(pausa)


Bem sei que o meu parentesco não diz nada, que o meu aval beirão nada acrescenta e tem forma de desplante. Sei que não fui educado entre apelidos, que sou malcriado por ter a desfaçatez de relatar fidedignamente as bolas que batem na trave. Ouvi que tenho a ousadia de dizer dia quando é noite. Sei também que tenho garras e que o meu polegar não se opõe à turma dos quatro.


(pausa)


Ainda assim, insisto: está sol, é de dia e daqui a pouco levo o meu filho à praia. Entretanto, o fel destila, mas o meu filho vai à praia na mesma.

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publicado às 03:50

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