Está maior a Pegada. Cabe-me a emoção de vos apresentar Fátima Freitas

por António Leal Salvado às 14:30

Apresentação e Declaração de Interesses

Nos anos em que o PREC se esvaía no sonho, havia despertares assim. Aproximava-se o fim do mês e entrava-nos em casa, a perguntar se havia água para acrescentar a sopa, uma estudante de Teatro. É o que de mais remoto sei dizer desta mulher, que é uma boa parte (uma das melhores) de mim. “Fatinha for ever!” foi a premonição com que me auto-abençoei no dia em que a conheci, mas isso foi antes desse sagrado tempo em que a estudante de Teatro, mais que actriz do magistério, passou a pagar o acrescento da sopa com o redescobrir do sonho. Ela entrava e a Isabel, eu e os nossos três filhos passávamos a uma família de seis cabeças e dez corações. Vão lá vinte e cinco anos – e nunca mais deixou de ser assim. Vinte e cinco anos que em extensão já são mais que uma vida e em altura já foram mais alto que Deus.

Enganam-se os que nos acusam de estarmos do lado dos nossos amigos, só por sermos seus amigos. É bem ao contrário! Nós fazemo-nos é amigos de quem está, por sua natureza, do nosso lado da Vida, de quem a vê e a sente como nós a vemos e sentimos – ou de quem nos ensina de que lado estamos nós. Ensinou-me isto um amigo que a Fatinha me apresentou, quando, vinte e cinco anos de caminho duro percorridos, o abandonaram muitos dos que sempre com ele concordavam e fui ter com ele, eu que jamais o poupara ao fogo das discussões em que nos inquietávamos. Talvez por força dessa sábia máxima do viver esteja eu, hoje e aqui, a apresentar aos leitores da Pegada (feminino, sim, o nome desta marca que não é blogue, é palavra) a nova companheira deste caminho. Esta que hoje se junta à redacção da Pegada é uma amiga. Das maiores.

O resto que seja asado saberem dela é acessório. Quando foi necessário alimentar a Cultura numa pobre cidade do Interior, foi das primeiras chegar – e nunca faltou. Tornou-se imperioso levar a informação onde mal chegava – e ela fez-se jornalista. Fez falta a poesia e ela estudou, coleccionou e espalhou aos quatro cantos tantos poemas quantos houvesse. Foi urgente saber, conhecer, questionar, ensinar – e ela estudou, descobriu, perguntou e partilhou. E partilhou sempre. Sempre como os que sabem partilhar: dando antes de saber o que lhe cabe. Sempre como os que exigem saber partilhar: garimpando tesouros antes de os repartir por todos. Não colheu para si? Como não?! Tem colhido – ávida e incansavelmente – tudo o que na sabedoria dos alunos, na sensibilidade dos justos, no coração dos apertados, no desprezo dos soberbos, no fundo da alma dos homens, só as boas pessoas encontram.