Está um belo dia para rebentar com a Europa!
A chanceler dos alemães vai hoje dizer das suas. O presidente do país que pôs Jeanne d'Arc na fogueira já lhe prestou solidariedade, ou vassalagem, ou cumplicidade, ou graxa, ou coisa. Com o habitual blá-blá de homem pequenino que é, até na tonta aspiração a fuhrer da pátria da liberté-égalité-fraternité. Avançou de véspera. Que é preciso um novo tratado de 'refundação' da Europa, mais inter-governamental e menos federalista, mais financeira e menos económica, mais plutocrata e menos social. Um tratado assinado por voluntários à força, dizendo preto no branco que a Europa que nunca passou de um sonho tem todas as condições para continuar a ser um pesadelo. Morrendo às mãos dos jogadores da bolsa. Quem não quiser que saia - mas que não haja quem não queira.
Conversa vaga, tonta, perversa. Paleio roto, como se escreve na língua dos homens que construíram a soberba da geração de Sarko, com intervalos de sono apressado em bidonvilles.
Todo o mundo sabe de que são capazes a chanceler e o seu pequenino amigo. Todo o mundo sabe as ordens que lhes deram os seus verdadeiros amos. Todo o mundo sabe que a Europa, mesmo morta que já está, é para sepultar. A dúvida, a única dúvida para os países estigmatizados como 'periféricos', está na réstea de caráter e sentido patriótico dos seus chefes de estado, ante a idiotia de governantes que bebem na sua própria e amorfa submissão europeia um tónico de mesquinhos ditadores dos povos que os elegeram, mais que não fosse pela abstenção generalizada.
Têm a palavra os povos. Está na hora dos cidadãos. Que se cuidem os farsolas: um dia destes alguém lhes vai às ventas. Depois não digam que não foram avisados.
[data supra, ao nascer do dia]






