Quinta-feira, 17.05.12

Eric Satie - Precursor da chamada “música de ambiente”

por António Filipe às 00:01

No dia 17 de Maio de 1866 nasceu, em Honfleur, o compositor francês Éric Satie, relevante no cenário da vanguarda parisiense do início do séc. XX e precursor de movimentos artísticos como minimalismo, música repetitiva e teatro do absurdo. Tornou-se referência entre os jovens compositores, que eram atraídos pelos títulos bem-humorados das suas peças, e exerceu grande influência nos seus amigos, os notáveis contemporâneos Debussy e Ravel, mudando assim o curso da história da música. Aos 7 anos perdeu de uma vez a mãe, que morreu e o pai que abandonou a pequena cidade de Honfleur, na Normandia, para ir para Paris. Eric ficou ao cuidado de um tio boémio, que lhe proporcionou aulas de piano com um bom professor. Em 1878, deslocou-se para a capital francesa. Aos catorze anos, ingressou no Conservatório de Paris onde era considerado, pelos professores, medíocre, preguiçoso e imprestável.
A música de Satie foi, na altura, apreciada por poucos e desprezada pela maioria dos compositores e críticos musicais. Eram-lhe apontadas diversas fragilidades, a mais importante das quais se referia à sua deficiente formação enquanto compositor e pianista. Com quase quarenta anos, resolveu voltar a estudar. Em 1905 ingressou na Schola Cantorum de Paris e estudou contraponto e orquestração. Três anos depois recebeu o diploma com a avaliação “très bien”.
Excêntrico e irreverente, Satie (que tinha 12 fatos iguais e uma interminável colecção de cachecóis e guarda-chuvas) também gostava de escrever e fazer caricaturas, inclusive dele mesmo. Fizeram sucesso os seus irónicos poemas, canções e escritos autobiográficos intitulados “Memórias de um Amnésico”.
Dizia que nasceu “muito jovem num tempo muito velho” e quanto à música modernista e às vezes estranha que escrevia, respondia: “Mostrem-me algo novo, que começarei tudo outra vez”. E fez muito de novo – incluindo a sua “musique d’ameublement”, composta para ser como que parte da mobília. Enervava-se quando as pessoas se concentravam a ouvir essa novidade e gritava: “Falem! Mexam-se, façam alguma coisa! Não fiquem parados simplesmente a ouvir!”
Após anos de bebedeira, Eric Satie morreu de cirrose, a 1 de Julho de 1925, em Paris.


Gymnopédie nº 1, de Eric Satie
Piano: Aldo Ciccolini

Quarta-feira, 16.05.12

Fim de tarde

por Maria Suzete Salvado às 21:37

Venho de acompanhar o pai de um amigo, à sua última morada.

Vivia numa pequena aldeia perto daquela em que eu vivo e não fora a tristeza do momento, até seria um passeio agradável, de tão linda a paisagem que se avista.

Na igreja reparei na viúva, pequena, franzina e com ar cansado.

Ficou sem pai aos 7 anos e teve de deixar a escola, que mal começara, para tomar conta de três irmãos mais novos e ajudar a mãe na lida do campo.

Passava dias inteiros à frente das vacas, ajudando o tio (irmão da mãe, mas pouco mais velho que ela) a conduzir o arado para cortar a dureza da terra, antes de lhe ser deitada a semente que daria de comer à família.

Aprender a ler, ficou-se no sonho.

Aos 19 anos casou e teve de continuar a amanhar a terra, a cuidar dos animais, a lavar no ribeiro, a cozer o pão para toda a semana, a carregar a lenha para o fogão.

Depois dos 70 anos de idade recebera 210 Euros de reforma, para juntar aos 150, que o marido já recebia. Tinham descontado pouco.

Trabalha ainda, embora com a doença do seu homem tenha passado a cuidar só da horta, logo ali à beira de casa, pois a vinha e o olival já há algum tempo que passaram a ser encargo dos filhos.

O que usufrui mensalmente não chega para os medicamentos que tem de tomar diariamente, mas os filhos vão à farmácia e resolvem esse problema, contra o seu gosto.

Agora, chora o homem ao lado de quem trabalhou anos a fio e apoia-se nos dois filhos de quem recebe mesada, como se trocassem de papéis e fossem eles os pais.

O luto será feito a trabalhar, já que não pode deixar de cuidar dos "vivos", da horta e das batatas.

O seu peito enche-se e um grande suspiro sai da boca sem expressão. Os olhos perdem-se nos nós da madeira do chão e de cabeça baixa permanece quieta, indiferente às condolências que os amigos dos filhos e dos netos lhe vão dando, perdida já nas saudades do companheiro de uma vida inteira, de quem não se quer separar.

Eu desconhecia que duas pessoas pudessem receber, depois de uma vida inteira de trabalho, quantia inferior ao rendimento mínimo de inserção que uma só pessoa recebe sem ter trabalhado sequer um dia da sua vida. Não é que seja caso raro, eu é que sou um tanto distraída.

tags:

O despertar da ideologia

por Luis Moreira às 21:36

Volta a ideologia ? pergunta Stefan Kornelius em A Grande Coligação Europeia.

"Quais são os limites da capacidade de consenso da União? A Europa precisará de alternativas, de confrontos, de ideologia? Quando François Hollande se lançou na campanha eleitoral com os seus cavalos de batalha socialistas, a chanceler não foi a única a mostrar o seu desagrado. Seria preciso a crise resultar num confronto em torno do credo político da direita? Estariam mais uma vez de regresso os "camaradas" e as suas ideologias cobertas de pó: os socialistas, os neoliberais, os defensores do controlo estatal e os partidários da redistribuição da riqueza?

Ao despertar os desejos de ideologia, o novo Presidente apontou involuntariamente o dedo àquilo que fazia falta na Europa: a liberdade de escolha, a polarização, o debate democrático – e, portanto, a paixão que leva as pessoas a envolver-se na política. O instinto de François Hollande provou que a paixão permitia vencer eleições.

Mas sejamos prudentes: a Europa não está suficientemente forte para acolher esse debate. Ainda não. François Hollande dar-se-á em breve conta, no seio do clube dos poderosos, de que os grandes problemas que o continente europeu enfrenta requerem grandes coligações. Realista como é, não tardará a tornar-se um mestre do consenso, ao lado da chanceler alemã. Mas, sendo como é também um idealista francês, não deveria abandonar a sua fibra ideológica. Se fossem suficientemente fortes, a Europa e as suas instituições seriam capazes de suportar a virulência política."

Os mercados não têm rosto ? O "Pingo Doce" tem...

por Luis Moreira às 19:11

Mercados especulativos têm o rosto do sr. Soros e do sr. Maloff  e de muitos outros como eles, que usam os mercados para enganar as pessoas, falir empresas e levar à banca rota países. Mercados também são as empresas de rendas excessivas que nos "comem couro e cabelo".

Mercados são as aplicações do nosso dinheiro, do Zé que trabalha e coloca a poupança no banco e que este utiliza para ganhar muito dinheiro, emprestando a outros. Que sabemos nós do mal que o nosso dinheiro anda a fazer por esse mundo fora? Anda a comprar armas? Nos estupefacientes ? A armazenar cereais para fazer subir o preço e impedir que os mais pobres tenham acesso ao pão?

Afinal nós todos fazemos parte dos mercados financeiros e fazemos parte do mercado de consumidores, como se viu na "operação Pingo Doce".

Agora o "Pingo Doce" vai fazer descontos de 50% na carne desde que os consumidores comprem vinte euros de outros artigos. Mais uma vez o "Pingo Doce" está a criar um mercado. O mercado dos consumidores de carne que vão comer mais carne do que habitualmente. Podemos chamar-lhes outra coisa mas os "mercados" são constituídos pelos humanos que não regulam as relações comerciais a bem do interesse geral. Antigamente havia a ética pessoal e comercial, como agora não há, temos que regular. São os humanos que se vendem por 50% e o sr. Soares dos Santos que nos compra com vinte euros de outros artigos. Num local ( até virtual como se percebe na internet) basta coexistirem dois humanos e uma coisa que um quer vender e outro quer comprar para haver um mercado.

O que há a fazer ? "Um negócio só é bom se for bom para as duas partes", se não for há que meter na prisão quem enganou, quem roubou, quem infringiu as regras! Quem faz as regras? Os eleitos pelos povos! Mas é nestes que tudo falha!

A Economia melhorou! Mas há sempre duas leituras

por Luis Moreira às 16:50

 A economia caiu muito menos do que se esperava. mas há sempre duas leituras...

Esta é verdade : 

Como se vê é mesmo muito melhor, o que não desmente esta a seguir: (acumulada)
Mas os que chamam a atenção para o gráfico anterior esquecem este a seguir. Uma década de  crescimento negativo da economia :
Vamos continuar com as mesmas políticas que levaram o país ao empobrecimento como está aí bem à vista no gráfico? Pedir emprestado ao exterior e investir em auto-estrada e grandes obras públicas? Ou vamos de uma vez por todas investir na agricultura, nas pescas, na indústria? Nos produtos e bens transaccionáveis e exportáveis e que diminuam as importações? Que criam postos de trabalho permanentes e não sazonais e periódicos?
Olhe-se para os três gráficos e veja-se como há razões para ter esperança. Quem me pode acusar de ter esperança?
 

Imagem do Presidente da República e Ministros atinge mínimos

por Luis Moreira às 16:00


Barómetro
Os dados do Barómetro Político da Marktest de Abril indicam que tanto o Presidente da República como o Primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, atingiram o saldo de imagem mais baixo de sempre, o que significa que os portugueses foram este mês ainda mais críticos na avaliação negativa da sua actuação.

Estudos de Opinião  , Grupo Marktest,  Ontem

 


Um país...

por Nuno Fernandes às 14:17

sem um ensino em condições ou um sistema de saúde que cuide de todos, nos bons e nos maus momentos, é, na verdade, um país deficitário. 

Manifesto para uma Esquerda Livre

por Luis Moreira às 14:08
Cara/o signatária/o,
Obrigado por ter assinado o Manifesto para uma Esquerda Livre, nesta primeira fase de recolha de assinaturas por contacto pessoal.
A partir de hoje o Manifesto poderá também ser assinado a partir do seu site onde encontrarão informações sobre a génese e o processo de redação do Manifesto, a agenda de eventos para o futuro, a lista de autores e a de signatários até ao momento. O Manifesto continua aberto a assinaturas pelo que agradecemos a sua divulgação.
O Manifesto será apresentado em público no próximo dia 17 de Maio, quinta-feira, às 11h30, no Café do Cinema São Jorge, Avenida da Liberdade, Lisboa.
No próximo dia 2 de Junho terá lugar em Lisboa o primeiro Encontro para uma Esquerda Livre, em hora e local a anunciar (informação em breve disponível no site do Manifesto).
Em anexo encontrarão uma versão pdf do manifesto, para imprimir, guardar ou divulgar.
Um abraço.
Recebeu este email porque assinou "Manifesto para uma Esquerda Livre". Caso não tenha assinado ou não deseje receber futuros emails, escreva para manifesto@paraumaesquerdalivre.net.
  Manifesto_para_uma_Esquerda_Livre.pdf
56K   Visualizar   Transferência  
         

Os Jacarandás floriram

por Luis Moreira às 12:55



Nos principais santuários, os Jacarandás aí estão a pintar o céu e o chão de lilás. Esta árvore oriunda da América do Sul é uma presença constante em Lisboa. Por duas ou três semanas, entre Maio e Junho, há que visitar os principais santuários, Av. D. Carlos, Jardim de Belém e Parque Eduardo VII. Mas encontram-se em toda a Lisboa. Algumas pela sua envergadura e idade são de visita obrigatória. É bom saber que há coisas que não mudam, coisas boas que fazem parte de nós e que estão para além da ganância e da mediocridade.

(Os "sítios" por onde ando)

por João Simões às 11:23

(Podemos ter tudo na vida e eu tenho tudo. Ou quase. Tenho dois filhos fantásticos. Tenho oito cães. Tenho o Mar. A Serra. O Rio. Tenho o dinheiro que não tenho e, sobretudo, o que não quero ter

Tenho músicas bonitas nos sítios por onde vou estando. Tenho no meu coração a Mulher que perdi e que me deu tudo nos últimos trinta e dois anos. Tenho a Farrusca que me obriga a levantar cedo e me ajuda a não me refugiar num sedentarismo estúpido. Tenho saúde (embora ande preocupado com o que espero ser uma simples hérnia). E trabalho quando e, sobretudo, onde me apetece

Tenho tudo. Ou quase. Porque de nada vale aquele conforto se eu não sentir que as pessoas de quem gosto estão felizes. Porque de nada vale aquele conforto se o coração (a alma...) não estiver feliz. E o meu vive em sobressaltos. Não por não estar feliz mas por constante inquietude

Porque venho descobrindo que a felicidade é apenas uma construção, um conceito. É uma conquista permanente. É imaterial. E que vale a pena lutar. E, se for preciso, com cedências. E se para ser feliz se tem que ceder a tudo, então, que seja. Porque os afetos são tudo, estes sim, são tudo e não apenas quase tudo).

Oportunidades de emprego

por Luis Moreira às 11:00

Em vários países há procura de jovens qualificados. Aqui fica a lista para os interesados:

Alemanha
A 4 e 5 de Junho haverá um evento de recrutamento de engenheiros para empresas alemãs. Para se candidatar até 15 de Maio no site do Eures em www.iefp.pt

Enfermeiros
Também em www.iefp.pt pode ver mais informação sobre os profissionais de enfermagem que Suiça, Reino Unido e Alemanha estão a contratar.

Aibel
Na Noruega, a Aibel procura engenheiros mecânicos e de electrotecnica, entre outros, em www.aibel.com

Statoil
Também a Statoil está a contratar engenheiros para todas as áreas ligadas ao petroleo, na Noruega. Ver em www.statoil.com

Irlanda
Se preferir a Irlanda, a EDGE Design & Engineering Innovation também está a contratar. Basta ver em www.edgeinnovate.new.gridhosted.co.uk

UE
Se pretende um emprego em alguma instituição europeia, em www.eu-careers.eu são muitas as ofertas.

Noruega
Ainda na área do petróleo e gás, a Aker Solutions também está a contratar para a Noruega, em www.akersolutions.com

Perguntar não ofende

por Ariel às 10:47

Porque não fazemos um outsourcing dos serviços e informação? Tendo em conta o estado geral a que o país chegou, estou segura que ninguém conspira para roubar o segredo da nossa decadência. De forma que o melhor é comprar feito, contratualiza-se uma avença com os serviços secretos de um país decente e fica o assunto arrumado. O País  poupa  dinheiro, ganha em qualidade e confiencialidade e os portugueses são poupados às intervenções indigentes duma classe política representada por gente sem dignidade nem decoro.

tags:

Merkhollande querem Grécia no Euro e crescimento

por Luis Moreira às 10:00

Para o primeiro encontro não se podia esperar mais. Os assuntos concretos foram chutados para uma reunião a ter lugar daqui a um mês.

"Aos jornalistas, Merkel sublinhou que há algumas concepções públicas erradas sobre as suas políticas de crescimento económico. "A questão é saber o que significa crescimento. O crescimento tem de ter impacto na vida das pessoas comuns. Estou muito feliz por termos chegado a acordo em discutir ideias que possam ser implementadas tendo em conta as pessoas comuns", disse a governante alemã, citado pela Bloomberg."

Está na hora de se implementarem medidas com vista ao crescimento da economia .

Euro 2012 - o futebol contra a política

por Luis Moreira às 09:00

Ucrânia : "

Para a Polónia, o Euro 2012 é a promessa de um avanço civil – novas autoestradas, novos aeroportos e linhas de caminhos-de-ferro – e, claro está, infraestruturas desportivas modernas. O evento também sela a sua parceria com a Ucrânia, prioridade de sucessivos governos e presidentes, apesar das diferenças políticas.

Do lado da política ucraniana esta constância não foi a regra dos últimos anos. Depois da revolução Laranja de 2004, depressa se assistiu às tensões crescentes entre [estes dois principais atores] o Presidente Viktor Ianukovitch e a primeira-ministra Iulia Timochenko. Num país duramente atingido pela crise, que fragilizou a economia ucraniana, baseada na indústria pesada e mineira, a ausência de reformas agravou ainda mais a situação. Os cofres do Estado estavam vazios, a inflação era devastadora, a hryvnia [a moeda ucraniana] enfraquecida, a ameaça de bancarrota estava na ordem do dia, os empréstimos das instituições financeiras internacionais eram o único recurso possível.

Durante esse tempo, os russos, com muita delicadeza, fecharam a torneira do gás, exigindo a assinatura de um novo acordo e o pagamento imediato das dívidas. A situação era dramática, porque o gás deixou de chegar à Europa. A indústria ucraniana estava a dois passos da catástrofe e o país a dois dedos de uma revolta nacional. Timochenko, a primeira-ministra da época, vestiu então um elegante vestido preto e pôs um colar de pérolas, e foi a Moscovo negociar com Putin [o primeiro-ministro russo de então]. Em janeiro de 2009, os dois países assinaram o acordo sobre o gás que valeu à primeira-ministra, anos depois, ser processada e condenada aos sete anos de prisão que cumpre atualmente por abuso de poder. O acordo em causa talvez não fosse perfeito, mas foi assinado com a faca encostada à garganta, e salvou a economia ucraniana.

Na verdade, o acordo pôs fim ao papel da RosUkrEnergo como intermediária com a Rússia, causando consideráveis prejuízos à empresa em que a Gazprom [russa] detém 50% do capital. Os outros 50% são detidos pelo oligarca ucraniano Dmytro Firtash, com ligações estreitas ao Partido das regiões do atual Presidente Viktor Ianukovitch.

O desporto e a política estão, assim, tão entrelaçados na Ucrânia como a trança de Iulia Timochenko. Tão ligados que se poderia imaginar que os oligarcas, que investiram milhões na construção de novos estádios, tudo fariam para que o campeonato fosse um sucesso e um passo em direção à integração na União Europeia, com quem eles tanto querem fazer negócios. São exatamente eles, os patrocinadores da política ucraniana, que podem fazer pressão junto do Presidente para acalmarem o caso Timochenko. Então, porque não o fazem? Porque sabem que Ianukovitch pode, com um estalar de dedos, cortar as veias de ouro de que eles se alimentam.

Poesia ao nascer do dia - Joaquim Pessoa - Morrer de amor é assim

por Luis Moreira às 08:00
 Quem morre de tempo certo
ao cabo de um certo tempo
é a rosa do deserto
que tem raízes no vento.

Qual a medida de um verso
que fale do meu amor?
Não me chega o universo
porque o meu verso é maior.

Morrer de amor é assim
como uma causa perdida.
Eu sei, e falo por mim,
vou morrer cheio de vida.

Digo-te adeus, vou-me embora,
que os versos que eu te escrever
nunca os lerás, sei agora
que nunca aprendeste a ler.

Neste dia que se enquadra
no tempo que vai passar,
termino mais esta quadra
feita ao gosto popular.

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'

Tema(s): Amor  Ler outros poemas de Joaquim Pessoa 

Steve Bell on the eurozone crisis

por Rogério da Costa Pereira às 01:07
15.05.12-Steve-Bell-on-th-005.jpg


http://www.guardian.co.uk/commentisfree/cartoon/2012/may/15/eurozone-greece-germany-euro-cartoon

"saída ORDENADA", "mecanismos de saída, que devem ser ORDENADOS": "Nudge, Nudge, wink wink, Say no more"

por Rogério da Costa Pereira às 00:24
Context_Comix_Sound_0049.JPG


«A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, referiu hoje, em Paris, a possibilidade de uma "saída ordenada" da Grécia da zona euro, em entrevista à televisão France 24.
"Se os compromissos não forem cumpridos, há revisões apropriadas a fazer e isso significa tanto financiamentos suplementares e tempo suplementar como mecanismos de saída, que devem ser ordenados, nesse caso", afirmou.»
[Expresso]

Friedrich Gulda – O “pianista terrorista”

por António Filipe às 00:01

No dia 16 de Maio de 1930 nasceu, em Viena, o pianista e compositor austríaco Friedrich Gulda, que se destacou tanto na música clássica como no jazz. Começou a aprender piano aos sete anos, no conservatório de Viena, com Felix Pazofsky. Em 1942, entrou para a Academia de Música de Viena, onde estudou piano e teoria musical. Ganhou o primeiro prémio no concurso internacional de Genebra, em 1946. A partir daí, começou a dar concertos por todo o mundo.
Juntamente com Jörg Demus e Paul Badura-Skoda, Gulda formou o grupo que se tornou conhecido como "troika de Viena". A partir da década de 1950 começou a interessar-se por jazz, tocando com vários músicos de Viena e compondo canções e temas instrumentais, que, às vezes, combinavam o jazz com a música erudita. Em 1982, Gulda juntou-se ao pianista Chick Corea, com quem fazia longas improvisações, misturando jazz e música clássica.
Certas práticas não ortodoxas valeram-lhe a alcunha de "pianista terrorista". Manifestava grande desprezo pelas autoridades, como a Academia de Viena. Foi-lhe atribuído o prémio "Beethoven Ring", pelas suas interpretações notáveis daquele compositor, mas recusou o prémio. Chegou a encenar a sua própria morte, em 1999, cimentando o seu estatuto de “enfant terrible”, entre os pianistas.
Mesmo assim, Gulda é amplamente reconhecido como um dos mais proeminentes pianistas do século XX. Entre os seus alunos, destacam-se a pianista Martha Argerich e o maestro Claudio Abbado. Expressou o desejo de morrer no dia do aniversário do seu compositor favorito, Mozart, o que de facto aconteceu, no dia 27 de Janeiro de 2000.


1º andamento do Concerto nº 20, para piano, de Mozart
Orquestra Filarmónica de Munique
Maetro e pianista: Friedrich Gulda

Terça-feira, 15.05.12

A saída da Grécia do Euro é um "bluff"

por Luis Moreira às 22:30

Nem a Grécia pode viver sem o euro nem a Europa pode estar unida sem a Grécia!

"Em primeiro lugar, a Grécia não está preparada para sobreviver por si mesma. Sem as ajudas da Europa e do Fundo Monetário Internacional (FMI), em breve o dinheiro faltará para pagar os salários dos funcionários públicos e para comprar ao estrangeiro aquilo de que necessita para sobreviver, a começar pelos produtos alimentares e pelo petróleo.

Em segundo lugar, após as reestruturações impostas aos credores privados, atualmente quase metade da dívida grega está nas mãos da Europa ou do Fundo Monetário Internacional. Portanto, se a Grécia não pagar, serão sobretudo os contribuintes da zona euro, ou seja, todos nós (mil euros por cabeça, numa estimativa sumária), quem irá desembolsar.

Em terceiro lugar, o regresso ao dracma só seria vantajoso na imaginação de economistas pouco informados, quase todos americanos. Soube-se recentemente que o governo de Georges Papandreou tinha encomendado um estudo que concluía que mesmo os dois setores que proporcionam à Grécia os seus rendimentos principais, o turismo e a marinha mercante, não beneficiariam com uma moeda desvalorizada.

Em quarto lugar, a verdade desconhecida é a dos prejuízos colaterais – para além do incumprimento da dívida – que uma eventual bancarrota da Grécia causaria aos outros países da zona euro. O diferencial em relação aos títulos do tesouro alemães [spread] não deixaria de crescer. Certamente, as consequências não teriam o mesmo peso para todos. Seriam mais pesadas para os países fracos, a começar por Portugal, em seguida a Espanha e a Itália, e mais leves para a Alemanha."

Athens News: Tsipras (Syriza)

por Rogério da Costa Pereira às 21:38
Memorandum parties asked us to leave country without hope.
Memorandum parties insist on terrorising and blackmailing people. But people cannot be terrorised anymore.
Samaras and Venizelos refused our proposals and set a dilemma: memorandum or elections.
We decided not to betray your hopes and expectations.
For a few thousand votes, couldn't fulfil our promise of a leftist government that would lift the country from memorandum rubble.
We now have chance to complete first step, to form government with increased strength from the people and in parliament.

(Mar Chão)

por João Simões às 21:09

("Sou um deserto que fica, Sou um capitão sem barco")

E descendo o molhe, apanho o Mar. Com uma mão pego na espuma da onda que se acaricia nas rochas

Ouço lindas letras e vozes quentes. Pedro Abrunhosa. E o eterno António Variações

Nas ondas da rádio que me confortam

(E sinto uma noite de amor, o suor ainda quente dos corpos...)

Voo rente a um Mar Chão, tão próximo que sinto a fresquidão da espuma ausente, sem brisa, numa manhã tão calma que me arrepia

E amarro a onda com a outra mão. Do outro lado. Do outro lado do Mar. Abraço a sua imensidão

Com uma força imensa, que me esgota

E sinto que a felicidade é algo de imperfeito, uma procura por vezes quase louca

("E vou sem hesitar, E morrer se tu quiseres agarrado a ti...")

Estou por aqui, ouvindo lindas letras e lindas músicas, desde hoje por outros lados mas sempre regressando aos lugares antes de costume, em princípios do final da manhã. Está um dia lindo

("Eu sei que vou ficar, Que este amor é meu, Quis ser o que fui, Eu não vou mais fugir, E não vou mais chorar, Que eu quero é ser feliz"...).

O Vitor Constâncio "ingénuo" e "prudencial"

por Luis Moreira às 19:45

Há tipos que têm sempre um nome a acrescentar ao do batismo. Ingénuo é um deles. Não vi, não ouvi, não sei, mas continuam a usufruir de tudo a que têm direito. Sou o governador do Banco de Portugal, ganho mais que o meu congénere norte - americano que lida com problemas mil vezes mais dificeis, mas que só pode ter  um nome : "competente".

Perguntamos todos quem é que vai pagar os 6 mil milhões que nos vai custar o BPN. Há os que assaltaram o banco a partir da administração ; os que deixaram assaltar a partir do banco de Portugal ; e os que nacionalizaram o banco sem cuidarem de saber a enormidade do buraco que iam encontrar.

A SNL onde estão os activos do grupo não foram nacionalizados porquê? Os administradores, accionistas e clientes que fizeram negócios tóxicos com o banco não devolvem o que ganharam ? E os senhores governadores, administradores e directores pagos principescamente para fiscalisarem a actividade do banco não são chamados a ressarcir os contribuintes?

Ou são todos "ingénuos" e "prudenciais? "

A água do Rio TUA que se perde no mar

por Luis Moreira às 18:30

Não é mesmo possível compatibilizar o Douro Vinhateiro com a Barragem do Rio Tua? Palavra? A água vai continuar a perder-se no mar quando todos sabemos que a falta de água é um dos maiores problemas com que a terra se vai defrontar no futuro? A palavra dos cidadãos:

Cucos e Subjetividades!....
Por Carlos Rocha - Porto
Tenho sido um observador atento da  polémica sobre a barragem do Tua, e constato com 2 posições inconciliaveis. De um lado argumentos bonitos mas subjetivos e sem qualquer quantificação possivel, por serem abstratos e irreais, que só quem vive como os "Cucos" sustentado e assente no trabalho dos outros pode fazer, ou então teria de viver como os troglodiatas. Do outro os objetivistas, para quem a existencia do homem em condições dignas e modernas está a cima de tudo, e passa pelo aproveitamento de todos os recursos da natureza e pelas obras para a sua exploração. Portugal é um País pobre,não pode continuar a desperdiçar recursos que os ricos aproveitam, por isso é que somos muito pobres. Quanto à classificação do Douro, gostava de saber o que fez esta gente para a sua concretização.

 

É bonito mas é falado, trabalhado é outra conversa
Por José - Vila Real
Qual património mundial! Por este andar qualquer dia temos mas é mato no dito património: o vinho está que não se recomenda. Mas grave é de cada vez que se resolve fazer qualquer coisa, lá estão os do costume em manifestações: ou são gravuras rupestres; ou plantas exóticas; ou cegonhas que ninguém viu; rios selvagens que vão desaguar em albufeiras; etc. Agora de novo uma invenção: uma barragem que põe o património feio. Um feito de morrer de susto, segundo dizem. Cambada de inconscientes, os da UNESCO também - classificam tudo e mais alguma coisa, é só pedir, e estão agora armados em esquisitos. O Povo do Douro sempre viveu mal, numa região pobre de poucos recursos, o rio, e não o vinho, que vem por acréscimo, foi ao longo dos tempos a única coisa que lhe garantiu o sustento.

Digamos que ... não vou fazer comentários nem retirar conclusões

por Rogério da Costa Pereira às 17:50

tags:

Portugal há 140 anos...

por Luis Moreira às 17:30

Mas que grande berbicacho que o Paulo Bento arranjou...

por Nuno Fernandes às 16:27

... vamos ter de adiar o particular!

A economia portuguesa a aguentar-se muito melhor do que o esperado

por Luis Moreira às 15:30

A economia está a aguentar-se muito melhor do que o expectável. Caíu forte no último trimestre de 2011 mas no 1º trimestre de 2012 melhorou bastante embora em terreno negativo. A variação dos stocks no último trimestre de 2011 e a contração da procura interna estabilizaram em 2012 e a explicação estará aí. O comportamento muito positivo das exportações explica o resto : A quebra menos acentuada da economia portuguesa no primeiro trimestre do ano surpreendeu os economistas, que apontam para a possibilidade de a recessão em 2012 ser menos forte do que o esperado.
"É surpreendente, a queda em cadeia foi muito inferior ao esperado. Para o conjunto do ano, a contracção poderá ser menor do que a antecipada pela generalidade das instituições internacionais e situar-se em redor dos 3 % estimados pelo Governo", afirmou Paula Carvalho, economista do BPI, em declarações à Reuters.
O PIB português terá caído 0,1% nos três primeiros meses de 2012 face ao trimestre anterior e 2,2% por comparação com o primeiro trimestre do ano passado, o que traduz uma desaceleração significativa do ritmo de degradação das condições económicas, de acordo com a estimativa rápida do INE.
A economista do BPI lembra que houve um contributo muito negativo de variação de “stocks” no último trimestre de 2011, que poderá ter sido revertido nos primeiros três meses de 2012.
Já Rui Constantino, do Santander, assinala que “houve um ajustamento bastante forte das despesas das famílias no quarto trimestre de 2011, em antecipação às medidas de austeridade que foram aplicadas, e que começa a encontrar um patamar de estabilização".
Destacando que os números hoje divulgados pelo INE são “melhores que o esperado”, Constantino refere, também em declarações citadas pela Reuters, que “por outro lado, as exportações continuam a crescer, com as empresas a realizarem um esforço para se encontrarem novos mercados e ganharem competitividade".
Filipe Garcia, da IMF, também destaca que "o motor de crescimento da economia - e que justificará estes resultados - continua a ser a procura externa líquida, que tem tido uma evolução muito satisfatória”.

A economia não é uma ciência exacta mas também não é "uma roleta russa"! Já há algum tempo que apontava para esta possibilidade de o comportamento da economia ser muito melhor do que o esperado .

Uma massa imensa de jovens pode abandonar a Grécia

por Luis Moreira às 14:00

Consequências imprevisiveis :

“Dessa forma, não seria a Grécia se desligando do euro como padrão monetário. Seria a Grécia sendo expulsa, praticamente, da União Europeia. Uma série de consequências desagradáveis teriam lugar a partir daí, sendo a primeira uma onda de jovens gregos, desempregados e prontos para deixar o país”, disse Hugh. A jornalista do diário britânico The Guardian Julia Kollewe pintou um quadro obscuro desta situação:

“Uma massa de desempregados, formada por jovens e bem preparados trabalhadores, formariam uma espécie de êxodo da Grécia e, se dezenas de milhares de pessoas chegassem às fronteiras do país, estas teriam que ser fechadas, com patrulhas de soldados gregos nas estradas, portos e aeroportos para manter seus cidadãos dentro do país. Isso não é impossível”, avalia Kollewe.

Hugh, então, se espanta com a situação a que chegou a Europa, diante da possibilidade de ruir o principal fundamento da União Europeia, que seria o fim das fronteiras físicas e econômicas.

“Aí, eu pergunto a mim mesmo: É essa a Europa sobre a qual falávamos, ou isso será algum tipo de pesadelo? Foram esses os altos ideais que nos moveram até chegar ao ponto de a Grécia trancar seus jovens, como nos velhos dias da União Soviética? É isso que a eleição de François Hollande como presidente da França significou?”, questiona Hugh. E ele mesmo responde: “Espero que não”.

Fez tilt, o Relvas

por Rogério da Costa Pereira às 13:34
"Eu não posso na vida pública, a este nível, transformar aquilo que não é sequer uma tempestade num de copo numa tempestade num copo de licor".
Que raio quererá isto dizer? Conterá um código? Demasiado convívio com o Silva Carvalho deu nisto.

A força dos lobies que resistem à implementação das reformas estruturais

por Luis Moreira às 12:00

Avisa o Banco de Portugal : "Os riscos em torno da implementação do Programa permanecem significativos" avisa a instituição. Em termos internos, destaca a "resistência expectável de alguns agentes económicos à concretização do vasto conjunto de reformas previsto na área estrutural". As áreas que têm sido mais problemáticas são as rendas no sector da energia – tema que deverá ser central na próxima avaliação da troika – e o aumento da concorrência nos sectores não transacionáveis.
O BdP reconhece que a adopção de reformas estruturais é um caminho espinhoso e que pode exigir tempo até se conseguirem as melhores soluções. Mas avisa que se estas não forem implementadas, o esforço de ajustamento pode não dar resultados. "A concretização efectiva de reformas estruturais que aumentem o nível e o crescimento da produtividade no médio prazo deve assumir um papel proeminente", lê-se no relatório.

É nestas reformas que se joga muito do país que queremos ser. O estado, as empresas do regime, a banca, as empresas públicas.

 

pegadas recentes

últimos comentários

  • Há situações estranhas, sim...
  • Veja aqui :http://pegada.blogs.sapo.pt/1783518.htm...
  • É procurar aqui na PEGADA, dois dias atrás em "son...
  • E as tendência de voto? não há grafico, ou há e nã...
  •  (me-notme) Meu caro, mande um texto que nós ...
  • Excelente documento que sugeriu, mas para o p...
  • Em relação à produção de informação, não duvido qu...
  • Claro, pois então
  • Claro, António, dando de barato que podemos contin...
  • Mas afinal a barragem não é para produzir energia ...
  • Neste aspecto concordo, mas há outros aspectos fun...
  • Leia este estudo do Inst Superior Técnico, https:/...
  • mas não digam aos turistas que eles enfrascam conv...
  • porque o mundo é muito injusto, há sempre coisas q...
  • Ele é republicano, socialista e ateu? Se é não pod...

arquivos

2012:

 J F M A M J J A S O N D

2011:

 J F M A M J J A S O N D

2010:

 J F M A M J J A S O N D

2009:

 J F M A M J J A S O N D

2008:

 J F M A M J J A S O N D

tags

pesquisar

 

PluralMag 

links

subscrever feeds

Paperblog :Os melhores artigos dos blogs