Domingo, 29.01.12

Exportar pastéis de nata e produzir bacalhau?

por Rogério da Costa Pereira às 10:48

Vejo aí um pequeno senão, Luís. Dois, para ser exacto.

Quem vai convencer o bacalhau a vir da Noruega para cá? Com o governo a mandar embora os humanos, não estou a ver o bicho a abandonar o conforto do Mar do Norte e a fazer-se sozinho à estrada. É que, pasme-se, esta espécie de coisa do neo-liberalismo assusta a iniciativa privada. Por outro lado, eles, os bichos-bacalhau, não gostam de nós. Quando eu e um bacalhau vamos jantar fora, um de nós sai sempre em espinha. E não sou eu... E ainda há questão das pescas e tal..., que isso de não andar atrás do peixe tem uns milhares de "senãos". 
Quanto aos pastéis de nata, talvez a única ideia do Álvaro depois de ter entrado para o governo e tropeçado na "real" do "não-há-dinheiro" -- vamos combater a desertificação do interior, dizia ele --, acho que essa coisa é gajo para não pegar. O pastel é bicho esquisito, muito apegado aos mestres de Belém. Lá fora (e mesmo cá dentro, a mais de cem metrios do habitat) sabe a nata podre.
Agora a sério, Luís. Pastéis? Dando de barato que a ideia possa ser boa, isso é coisa de uma ou duas empresas deitarem mãos à obra. A não ser que o Estado queira nacionalizar a pastelada. Não queremos propriamente um tipo que vai dando umas ideias fixes de quando em vez. Dava era jeito um ministro com tomates para enfrentar o Raspar.
Dava era jeito uma Nissan, sabes?, aquela dos componentes para os carros eléctricos! Aquela que o Raspar espantou. Cenas desses género. Olha, os Magalhães vendem-se lá fora que nem pãezinhos quentes...

Pintores e Quadros famosos - Pissarro

por Luis Moreira às 10:00

Pissarro: Camile Pissarro nasceu em 10 de julho de 1830 na ilha de St. Thomas, no Caribe. Seu pai, Abraham Gabriel Pissarro, era um judeu francês de origem portuguesa que possuía uma loja de ferragens no porto de Charlotte-Amalie. Sua mãe, Raquel Manzano, era mulata.
Mostrou um talento precoce para o desenho, mas não foi encorajado por seus pais, que haviam planejado para ele a carreira de comerciante. Foi enviado a Paris em 1841 para continuar sua educação. Morou em uma pensão em Passy, cujo proprietário, Savary, incentivou seus desenhos e sugeriu que desenhasse ao ar livre, observando diretamente a natureza - uma prática quase desconhecida naquela época. Pissarro foi chamado de voltaa St. Thomas com 17 anos, para trabalhar no comércio. Em 1850, o pintor dinamarquês Fritz Melbye foi enviado para lá, a negócios, pelo governo. Intrigado com o jovem que aproveitava todas as oportunidades para fazer esboços e desenhar, logo se tornou amigo de Pissarro. Melbye encorajou suas inspirações artísticas, e Pissarro eventualmente decidiu acompanhar seu novo amigo em sua missão na Venezuela.

 

Les Chataigniers - a Osny

A esquerda vai voltar ao poder dentro de dez anos

por Luis Moreira às 09:00

Quando estiverem os problemas resolvidos, houver dinheiro para distribuir, o capitalismo se tenha reinventado, a esquerda volta ao poder. Não só em Portugal mas no Mundo.

Dentro de uma década, "quando os maiores problemas económicos estiverem resolvidos e a sociedade mais desigual", a esquerda vai voltar ao poder, embora se debata com grandes desafios, afirmaram dois politólogos, um alemão e outro britânico.

Em dez anos, "quando os maiores problemas económicos estiverem resolvidos e a sociedade ainda mais desigual, as possibilidades para a esquerda [voltar ao poder] não são assim tão más", acredita Wolfgang Merkel, investigador do Social Science Research Center (Alemanha).

Nada de especial, são os chamados "ciclos económicos", dez anos a recuperar a economia, e limpar os mercados dos produtos e serviços que acabaram o seu fim de ciclo e outros tantos a aparecerem nas necessidades das pessoas. Mais limpos, mais eficazes, menos inimigos do ambiente ...

Até que a ganância dos homens dê um piparote no equilíbrio encontrado e tudo recomeça. Melhor e mais justo do que no ciclo anterior, abrangendo mais gente. E, desta feita, com os BRIC a irem a jogo mas isso ainda ninguém faz ideia do que representa.

Poesia ao nascer do dia - Sofia de Mello Breyner Andresen -

por Luis Moreira às 08:00

Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.

Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.

Por que jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Por que o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.

Escrever ao som do debate de 1975 entre Cunhal e Soares...

por Rogério da Costa Pereira às 03:44

... é assim muito esquisito?

É que é giro e relaxante fazer de conta que os tipos estão ali no sofá a discutir, um a falar da luta do campesinato e da direita reaccionária e fascista de Sá Carneiro e o outro a falar do Portugal real (Soares faz de Alice; Cunhal alinha com os malucos do Mad Tea Party -- falo do capítulo VII da Alice no País das Maravilhas, nada de confusões). Por mais vezes que veja o espectáculo, não deixo de ficar estupefacto com a estrondosa derrota de Cunhal; como é possível o homem ter menosprezado tanto o Soares?; como é possível ele ter acreditado que o Portugal de 75 ia comer aquela palha?

* em cima um pequeno excerto, minimamente representativo (tem a tirada da medalha Lenine, já não é mau), do debate de mais de três horas e meia. 

Boletim político para ontem, hoje e amanhã: democracia muito nublada

por Rogério da Costa Pereira às 02:58

[Imagem via João Soares]

É pegar ou largar, meninas...

por Rogério da Costa Pereira às 00:03

(via Jota Janes)

... ómênzes dezts num si encontrão açim du péprámam 

Fritz Kreisler – Compositor e virtuoso violinista

por António Filipe às 00:01

No dia 29 de Janeiro de 1962 faleceu, em Nova Iorque, o violinista e compositor Fritz Kreisler. Filho de pai judeu e mãe católica, tinha nascido, em Viena, no dia 2 de Fevereiro de 1875.
Entrou no Conservatório aos 7 anos e, mais tarde, estudou, também, em Paris. Tinha um talento fora do comum para tocar violino, o que fez com que a sua técnica parecesse incólume às várias mudanças de rumo que, em determinado período, a sua vida foi sofrendo. Nos finais da década de 1880, depois de uma bem-sucedida digressão pelos Estados Unidos, viu recusada a sua pretensão de ingressar na Orquestra Filarmónica de Viena, o que o levou a abandonar a música e a seguir medicina, tal como o seu pai, que era um conceituado cirurgião. Uns anos depois, deixou a área da saúde e regressou às artes, dedicando-se à pintura. Andou por Paris e Roma a tentar aperfeiçoar o dom de pintor; coisa de pouca duração. Algum tempo depois virou-se para as artes da guerra, alistando-se no exército. A aventura bélica durou cerca de um ano, após o que decidiu regressar às origens e voltar a pegar no violino.
Tinham-se passado, entretanto, cerca de 10 anos, e para regressar à música, no ano de 1899, Fritz Kreisler necessitou de um prolongado período de preparação de exactamente… 8 semanas. Entre 1901 e 1903 fez várias digressões pelos Estados Unidos que marcaram o início do reconhecimento internacional daquele que viria a ser um dos violinistas mais marcantes da primeira metade do século XX. Deu concertos públicos até 1947, com alguns interregnos pelo meio devido às duas grandes guerras.
Como compositor, fez arranjos e transcrições – e apresentou uma controversa série de peças que foram atribuídas a compositores anteriores, mas que, de facto, eram de sua autoria.


Violinista: Gidon Kremer
Pianista: Martha Argerich
Sábado, 28.01.12

Infantilidade e Estupidez

por Luís Grave Rodrigues às 23:54

Dez cientistas portugueses premiados

por Luis Moreira às 23:00

Entre vinte oito cientistas previamente seleccionados, cinco portugueses ganharam prémios "Futuros líderes Científicos" e os outros cinco em várias especialidades. Os prémios são de milhões de euros que os cientistas vão utilizar no seu próprio trabalho de investigação, admitindo assessores cientificos, reagentes, equipamentos...

Estes homens e mulheres são gente muito capaz, vivem, a maioria deles, de bolsas de estudo que nunca sabem se vão ou não serem renovadas, isto num país onde os funcionários públicos não só têm o vencimento assegurado como emprego para toda a vida. Há alguma coisa de muito errado nisto.

O governo, nesta altura de restrições deve perceber este sinal, o investimento a médio e longo prazo na ciência trás retorno a prazo e um reconhecimento internacional ao mais alto nível.

Cá dentro três cientistas ganharam o prémio "Mulheres na Ciência 2011" ( vinte mil euros a cada um pela L'Oreal Portugal).

É preciso dar condições a estes jovens brilhantes para cá ficarem a trabalhar a bem do país!

Passos adia afastamento de Alberto João

por Luis Moreira às 22:10

Uma escola da Madeira deixou de servir almoços aos alunos por não pagar o gás. Vários centros de saúde foram encerrados à noite. Mas Jardim continua a subsidiar os partidos ( cinco milhões de euros / ano) e já garantiu que vai continuar a  subsidiar o "Jornal da Madeira" (quatro milhões/ano). Outro tanto para as equipas de futebol.

Passos deixou que Jardim explicasse aos cidadãos madeirenses o resultado das negociações. Ele aproveitou, como sempre, para dizer  que se não fosse ele a conta seria muito maior. Mas a verdade é que o líder madeirense iniciou a ronda a exigir três mil milhões e apenas levou metade. Por enquanto, com dinheiro, jura que vai cumprir e até lança desafios " vamos ver quem cumpre melhor" mas já teve um desabafo "tive que me vergar" que junto com os quatro anos de carência do pagamento do serviço da dívida( os quatro anos que lhe faltam para acabar o mandato) mostram bem que Jardim só espera o momento. E, já deixou cair que quer 2,5% das receitas das privatizações.

Jardim está num beco sem saída, sempre julgou que com o folclore habitual conseguia que lhe pagassem as contas, mas quem não tem dinheiro não tem vícios, e desta vez é o lugar que não o larga.

Há mesmo quem diga que Jardim com as condições que conseguiu a curto prazo, tem o oxigénio necessário para se manter e sair daqui a quatro anos com dignidade deixando para o sucessor todos os problemas.

Quem fica a perder é, como sempre , o povo madeirense. É que o seu mandato é eterno, não tem ínicio nem tem fim, vai pagar todas as dívidas! 

Exportar pastéis de nata e produzir bacalhau

por Luis Moreira às 21:00

Aí está uma boa maneira de dar a volta ao problema! Exportar e deixar de importar, nós que comemos milhões em bacalhau que a Noruega já produz em imensas quintas marítimas. Nós temos tudo, um mar imenso, um povo que é dos que mais come peixe. Temos uma costa com imensos estuários, é só deixar entrar a água e depois não deixar sair os peixes, dizia-me um americano que esteve cá em Portugal há trinta anos, "essa é que é a vossa riqueza, mais que o sol e a praia".

A nossa mentalidade é que é provinciana, foi um fartote quando o Álvaro falou em fazer uma cadeia de franchising mundial para os pastéis de nata. Avançar de vez para a criação de peixe em off shores, quintas marítimas, criar o peixe como se cria o gado, em cativeiro em vez de andar atrás dele. Também já provamos que somos capazes de inovar e investigar em novas tecnologias mas nada impede de "transformar simples actividades em contas de exploração positivas" , não ter medo de ter lucro.

É assim, a trabalhar no que sabemos que saímos da pobreza, não é andarmos ainda e sempre à volta dos grandes investimentos do estado, das grandes empresas, dos negócios de compra e vende que apenas muda o dinheiro de mãos.

Pessoal da SIC: o senhor que se segue chama-se Arménio...

por Rogério da Costa Pereira às 20:17

... Carlos. Ok? Carlos! Arménio Carlos! Car...los. Que se venham a enganar no teclar e saia um Caralos ou um Carlhos, ainda vá, mas tentem não tropeçar duas vezes na mesma palavra. Compreendido, pessoal da tesão de Conaxide? Não há nada que enganar.

Feriados civis, religiosos e...municipais

por Luis Moreira às 18:15

Feriados civis, religiosos e...municipais, estes iam passando por entre os pingos da chuva. Mas vejam a farturinha, mesmo com cortes: O resto do ano, como o Governo desistiu da ideia fazer gozar os feriados nas sextas ou segundas-feiras mais próximas do fim de semana, vão restar ainda, a nível nacional, seis feriados a meio da semana. Melhor ainda, restam quatro pontes e um fim de semana grande para gozar em 2012. Depois, há ainda os feriados municipais, sendo que, neste capítulo, perdem aqueles que festejam o São João, que, no próximo ano, calha a um domingo. O Santo António é a uma quarta-feira e o São Pedro, a uma sexta, dá direito a fim de semana prolongado.

Sigam o link e vão ver que é um milagre haver produtividade quanto mais melhorá-la!

A religião explicada às crianças

por Rogério da Costa Pereira às 17:28

kid: What is religion?

me: some adults imaginary friends

[via Bernardo Ribeiro de Melo, grupo Debates sobre Ateísmo]

Negócio da China ou negócio irrecusável?

por Luis Moreira às 17:15

Negócio irrecusável: o gigante chinês State Grid formalizou a proposta para comprar 25% do capital da REN - Redes Energéticas Nacionais - com um preço que reflecte um prémio de 40% e um pacote financeiro que dá acesso a fundos de mil milhões de euros.

Negócio Chinês: A State Grid abriu à REN o acesso ao mercado chinês.

Esta proposta surpreendeu os próprios gestores portugueses e o estado que se prepara para a assinar em meados de Fevereiro. A REN irá, assim, integrar na rede eléctrica chinesa a produção das energias renováveis existentes no grande território asiático, sobretudo a produção dos parques eólicos. Esta parceria terá ínicio já em 2012 e não impede os outros projectos internacionais da REN - Moçambique, Colômbia, Angola e Brasil.

A China quer nos próximos anos chegar aos 100 gigawatts, enquanto aqui na Europa a capacidade instalada ronda os 65 gigawatts em parques eólicos. Na hídrica Portugal dispõe de 6 gigawatts e na eólica 4 gigawatts, enquanto na China a produção é da ordem dos 210 gigawatts.

Só para dar um termo de comparação!

Agora somos seis cá em casa

por Rogério da Costa Pereira às 16:26
Por causa do sexto, quatro dos outros cinco foram a banhos, reforçados com palha-d'aço (a excepção foi o xico, papagaio de bico demasiado fino para as minhas mãos). Não é que eu tenha algo contra ti, sexto, mas não agrada a forma como te afeiçoaste à minha perna e me chupaste o sangue, espécie de assessor do Relvas. Também me incomoda perder este sol e ficar em casa a sacudir e lavar tudo quanto não mexe. As limpezas de primavera fazem-se na primavera. Percebes? Agora vamos sair. Quando eu voltar não te quero ver, ok? Vai sugar a perna de quem te pariu.
Puta da pulga.

Cavaco deixou o aviso: poupem. Tomem nota

por Francisco Clamote às 14:33
Meus amigos, as coisas estão neste pé: como diz aqui o Jorge Nascimento Rodrigues,  "Nas últimas duas semanas, a probabilidade de incumprimento (risco de default) da dívida portuguesa não tem parado, desde que galgou o patamar dos 65% a 17 de janeiro. A meio da manhã de sexta-feira,[ontem]  o risco de default num horizonte de cinco anos atingiu um pico de 70,9% (...)". Mas o pior é que, como também diz o Jorge, a probabilidade de incumprimento de Portugal aproxima-se perigosamente da da Grécia (só estão separadas por 12 pontos percentuais) e pior ainda é que o risco dedefault da dívida portuguesa aumentou tanto em 7 dias úteis, quanto  o da Grécia, num mês.
De forma que, se as coisas não ficarem por aqui, e por ora não se vê como é que tal poderá acontecer, a "coisa" está a ficar mesmo preta, pese embora a magnífica ideia do Álvaro de internacionalizar o pastel de nata. 
Tão preta, digo eu, que me atrevo, desde já, a adiantar que, muito provavelmente, o Passos, o Gaspar, o Portas e o Álvaro estão já a pensar em criar um ano com dez meses. O próximo, porque, quanto ao que está em curso já não vão a tempo. Todavia, deve dizer-se, em abono da verdade, que aqui há uns tempos, quando cortaram os subsídios de férias e de Natal, ainda pensaram nisso. Só não chegaram a tal extremo, porque não admitiram (o que até nem é causa de grande admiração) que fossem tão incompetentes e porque não lhes passou pelas cabeças que, com as políticas por eles adoptadas, a economia portuguesa iria bater no fundo tão depressa. 
Têm agora um ano inteiro para aprender e até eles, se os deixarem chegar até ao fim, são capazes de chegar a essas duas conclusões, pois, reconhecidamente, não são burros de todo.

Como homem/mulher prevenido/a, vale não sei por quantos/as, aqui fica o aviso que, aliás, mais não é que a réplica do aviso feito, aqui há dias, pelo Prof. Cavaco Silva e que tanta celeuma levantou. Apenas e só, diga-se, porque foi mal compreendido. É verdade que não foi por exclusiva culpa de quem ouviu as  suas declarações, nem sequer os seus esclarecimentos, três dias depois. Ele, de facto, expressou-se um tanto imperfeitamente, mas aqui estou eu para explicar tudo muito bem explicadinho.
Disse o Prof. Cavaco Silva, em resumo, que as suas reformas não chegavam para cobrir as despesas e que o que lhes valia, a ele e à sua Maria, é que tinham sido sempre muito poupadinhos e que, por isso mesmo, dispunham agora dessas poupanças para fazer face às dificuldades por que passam todos os portugueses, incluindo, é claro, o casal presidencial. 
Ninguém vai negar, estou certo, que foi isto mesmo o que o Prof. Cavaco Silva disse. É verdade que estas declarações, abrangendo, além do mais, os conceitos de reformas, despesas e poupanças são complexas e podem prestar-se a alguns mal-entendidos, se as coisas não forem ditas de forma pensada, pausada, e devidamente enquadradas.
A necessidade de interpretação é necessária, como qualquer jurista sabe, até nos casos em que aparentemente as expressões são simples e claras. Ora se até em tais casos é assim, muito mais se justifica no caso de declarações complexas, como é caso.
Aqui vai pois a minha interpretação:
Repare-se, antes de mais, que há toda uma sequência lógica naquelas declarações. O prof. Cavaco Silva começa por aludir a reformas, depois menciona as despesas que não chegam para as cobrir e, finalmente, fala nas poupanças. Ora, por todo este encadeamento lógico, vê-se imediatamente aonde é que ele quer chegar. Às poupanças, obviamente. Foi esta forma, concedo que um tanto rebuscada, que ele encontrou para deixar mais um aviso e o mais solene que ele já alguma vez fez, pois chegou ao ponto de ter de invocar o seu "drama" pessoal. O que ele quis, claramente, dizer aos portugueses e de forma tão solene foi tão só isto: Portugueses poupem que a "coisa" está mesmo preta!
Como é sabido, fazer avisos é matéria em que o Prof. Cavaco Silva se especializou e, num caso destes, ninguém está em melhor posicionado do que ele para o fazer. Se bem se lembram, Cavaco Silva, aqui há um ano, aproximadamente, avisou José Sócrates de que havia limites para os sacrifícios. Porque no seu entender, os limites já tinham sido atingidos, tudo fez para derrubar o Governo e conseguiu. Depois disso, como toda a gente também sabe, o actual governo já ultrapassou há muito esses limites e até agora não houve maneira, nem ninguém, Prof. Cavaco incluído, capaz de o fazer parar, pela razão simples de que para este governo não há limites, nem regras. Ora, uma condução nestas condições, vai dar desastre pela certa e o Prof. Cavaco Silva também já chegou a essa conclusão. Daí, não sei se repararam, o ar de homem angustiado com que apareceu na televisão.
Fica por explicar para que é que servem as poupanças em caso de acidente. O Prof. Cavaco Silva não chegou a avançar com a explicação, mas é muito simples: os cintos de segurança forrados com notas asseguram uma muito melhor protecção em caso de embate, além de que as notas também servem para fazer almofadas que amortecem o choque. E quantas mais almofadas, melhor.
Tomem nota.

Os ricos que se acautelem

por Luis Moreira às 14:00
Isto é verdade. Eles, os ricos, já gastam muito dinheiro em condomínios fechados e em segurança, mas se não tiverem bom senso um dia vai haver uma explosão dos excluídos que nada nem ninguém conseguirá travar. Já vi no Rio de Janeiro as casa com duas portas. Uma grade de ferro e só depois a porta propriamente dita.
No discurso da "estado da Nação" há dois dias, Obama chamava a atenção para isso. Para que serve acumular milhões se não há integração e justiça social e, em vez disso, há ódio e exclusão?

Prescrição médica por principio activo

por Luis Moreira às 13:00

Mais um obstáculo de dezenas de anos que cai. Os médicos vão ter que prescrever por principio activo os medicamentos não o podendo fazer por marcas. Isto quer dizer que está aberto o caminho para o farmacêutico vender o medicamento mais barato e incrementar de vez os genéricos. Uma discussão que custou milhões ao estado mas praticada há muito noutros países.

" A nova legislação, que fica a aguardar a publicação em Diário da República, estipula que para efeitos de comparticipação pelo Serviço Nacional de Saúde, a prescrição de medicamentos incluirá obrigatoriamente a denominação comum internacional, ou seja, o princípio activo, passando os médicos a poder referir uma marca na receita apenas quando não existam medicamentos genéricos ou em situações justificadas com questões técnicas, como o medicamento em causa ter um índice terapêutico limitado, haver indícios de intolerâncias ou reacções adversas ou quando se trate de medicação crónica, para um tratamento com duração superior a 28 dias."

Guerras de interesses que movimentam muitos milhões. O PCP  absteve-se preso como está ao seu conservadorismo congénito.

BCP - um fim anunciado

por Luis Moreira às 12:00

Só quem não queria ver é que não via, o BCP um banco de sucesso foi sendo destruído pelas guerras entre accionistas. O golpe fatal foi-lhe dado pelos políticos.Afastou-se a Opus Dei e entrou a Maçonaria pela mão do anterior governo. Angolanos e Chineses preparam-se para abocanhar o maior banco português, desfeito por erros de gestão e por muitos milhões em parte incerta.

Há muito que o disse em sucessivos textos: O BCP é outro BPN? ; Quem anda a comprar acções do BCP aos milhões? ; O BCP tem a administração em risco - uma bomba prestes a rebentar.

E muitos outros textos que pode encontar aqui na Pegada ( basta procurar em BCP). Não era dificil!

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Cavaco Silva é o que é mas nunca foi um PIDE!

por Luis Moreira às 11:00

Corre pelo facebook uma manobra manhosa de gente sem ética e anónima com um truque ignóbil. Cortaram um pedido de certidão de Cavaco Silva e mostram só a parte de cima do documento por forma a transformá-lo num cartão. E, com isto, atribuem-lhe a categoria de informador da PIDE (antiga polícia politica do regime de Salazar).

Cavaco Silva passou todos estes anos na vida política e não pode eximir-se à responsabilidade, mas mesmo nos anos de "brasa" nunca foi apelidado de PIDE. Muita gente conhecida foi acusada nesses anos de pertencerem ou colaborarem com a PIDE, mas nunca ninguém levantou para Cavaco Silva esta possibilidade. Antes e depois do 25 de Abril de 1974 !

Cavaco Silva estudou no antigo Instituto Comercial de Lisboa e dali seguiu para o ISEG, caminho seguido por muita gente conhecida como Ernâni Lopes e Vitor Constâncio. Foi o percurso de muita gente e, nessa altura, nós sabíamos bem quem era conotado com a PIDE ou com o regime fascista.

Simplesmente, naquela altura, para se entrar no funcionalismo público era necessário solicitar uma certidão em como " não tinha qualquer registo de crime contra o estado". Eu também entrei no funcionalismo público aos dezoito anos e também pedi a certidão. Várias gerações a pediram " tudo pela nação nada contra a Nação) segundo a fórmula fascizante.

Chamem a Cavaco Silva o que quiserem em relação ao seu percurso como político ( há muito por onde não é preciso difamar) mas não levantem falsos testemunhos.

Cheios de ódio, envergonhando a gente capaz e séria da esquerda, estes "camaradas" (é assim que se tratam) não olham a meios para atingir os fins.

Tal como fazia a PIDE!   

Pintores e Quadros famosos - Picasso

por Luis Moreira às 10:00

Picasso:

Pintor espanhol naturalizado francês. Considerado por muitos o maior artista do século 20, era também escultor, artista gráfico e ceramista.

Pablo Picasso, o artista mais famoso e também o mais versátil do século 20, nasceu em Málaga, no sul da Espanha, em 25 de outubro de 1881. O pai era professor de desenho, portanto o óbvio talento de Picasso foi reconhecido desde cedo e, aos quinze anos, tinha já o seu próprio ateliê.

Após um falso início como estudante de arte em Madri e um período de Boêmia em Barcelona, Picasso fez a sua primeira viagem a Paris em outubro de 1900. A cidade continuava a ser a capital artística da Europa e foi lar permanente do artista desde abril de 1904, quando ele se mudou para o prédio apelidado de Bateau-Lavoir (Barco-Lavanderia), em Montmartre, a partir daí o novo centro da arte e da literatura vanguardista.

Durante este período, o trabalho de Picasso foi relativamente convencional, passando de uma Fase Azul melancólica (1901-05) para a Fase Rosa, mais alegre e delicada

 

Demoiselles d'Avignon

CGD - a justa repartição dos sacrifícios

por Luis Moreira às 09:00

Os sindicatos conseguiram que a administração da CGD cedesse no que diz respeito aos subsídios compensando os trabalhadores com algumas medidas. É curioso porque são dos trabalhadores mais bem pagos no país, juntamente com a TAP ( em guerra) e o Banco de Portugal. E com um único accionista, o Estado!

"A aplicação das propostas apresentadas pela Febase, surge após a concentração de protesto de trabalhadores e reformados do Grupo CGD na quarta-feira passada e visa minimizar os prejuízos causados pelo corte dos 13.º e 14.º meses. "Procurámos minimizar as medidas gravosas para os trabalhadores e tem-se conseguido resultados que procuram amenizar esses cortes com soluções alternativas", acrescenta Rui Rio, realçando esperar que "corra tudo como o previsto e não haja inflexões".

A Febase (que agrega SBSI, SBN, SBC, STAS e SISEP, Sindicatos representativos no Grupo CGD) reuniu-se sexta-feira, dia 20, com a administração da Caixa, que se comprometeu a continuar a estudar algumas soluções com o objectivo de "minimizarem as dificuldades que o corte não expectável dos 13º e 14º meses implicam na vida dos trabalhadores".
Para os sindicatos da Febase estas soluções são "a demonstração de que vale a pena os trabalhadores não baixarem os braços e expressarem o seu descontentamento apoiando os Sindicatos nas iniciativas desencadeadas, como aconteceu na grande concentração de dia 25 - e da qual o STEC se excluiu".

Então é isto a justa repartição dos sacrifícios?

Os suspeitos do costume

por rui david às 08:51

A companhia aérea Spanair, na eminência de falência, cancela voos e deixa mais de 22 mil passageiros em terra.

Que alívio, a falência de uma companhia é um facto normal e, consequentemente, normalmente aceite numa economia de mercado.

Dizem até, que é parte de um contínuo processo de renovação que é benéfico para economia e, mais uma vez, consequentemente, sobretudo para os "mais necessitados".

Este caso pode ser assim ser interpretado como um bom exemplo de "destruição criativa" de que todos lucrarão.

E assim, por uma vez, ninguém se pode queixar dos sindicatos.

Poesia ao nascer do dia - Neruda - O Poço

por Luis Moreira às 08:00

O POÇO                                                                                                                   



Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.                        

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.

( Pablo Neruda ) => leia também outros poemas de grandes poetas

Um excelente «'tou a morrer de sono mas tenho de acabar o que comecei»

por Rogério da Costa Pereira às 06:10
É mudar o perfil do facebook para a versão "cronologia". Não acabei, os galos já cantam e continuo a morrer de sono.

Como identificar um Maçon (Monty Python)

por Rogério da Costa Pereira às 01:50

Há erros do caralho...da silva

por Rogério da Costa Pereira às 01:25

(imagem via Paulo Querido)

  Adenda: instruções para escrever correctamente o nome do senhor que segue.

Arthur Rubinstein - Um dos melhores pianistas virtuosos do século XX

por António Filipe às 00:01

No dia 28 de Janeiro de 1887 nasceu em Łódź, na Polónia, o pianistaArthur Rubinstein. Começou a tocar piano muito cedo, com apenas três anos. Aos 6, tocou em público pela primeira vez. Entrou para o Conservatório de Varsóvia aos oito anos, onde foi aluno de Paderewski. Prosseguiu os seus estudos em Berlim, onde se apresentou, em recital, em 1900. Em 1906 estreou-se em Nova Iorque, como solista da Orquestra de Filadélfia. Regressou, depois, à Europa e, em Paris, trabalhou como professor de piano.
Em 1916 visitou a Espanha, onde interpretou composições de Granados e Manuel de Falla, que lhe dedicou a “A Fantasia Bética”. Em 1919 foi ao Brasil e conheceu Villa-Lobos. Foi o responsável pela divulgação das suas mais famosas composições. Em sua homenagem, Villa-Lobos escreveu o “Rudepoema”, em 1926. Stravinsky também lhe dedicou os 3 Movimentos de Petruschka - considerada a sua mais difícil obra para piano.
Depois de algum tempo dedicado a intensivos estudos, Arthur Rubinstein viajou até aos Estados Unidos, em 1937. A partir daí, teve a sua reputação de grande intérprete assegurada. Em 1946, obteve a cidadania norte-americana, depois de ter fugido da França em 1940, por causa da invasão alemã. Impressionado por essa experiência e pelos crimes do nazismo, nunca mais se apresentou em concerto na Alemanha. Rubinstein revelava extrema modéstia quando falava de si próprio. Mostrava interesse não apenas pela música, mas também pelos pequenos e refinados momentos de prazer que a vida oferece. A sua última actuação em público teve lugar em 1976, quando já estava com 89 anos. Morreu em Genebra, no dia 20 de Dezembro de 1982.


Scherzo nº 2, op. 31, em si bemol menor, de Chopin
Pianista: Arthur Rubinstein
Sexta-feira, 27.01.12

A TAP junta-se à agitação social em curso

por Luis Moreira às 22:21

Os trabalhadores da TAP reagiram aos cortes nos subsídios e nos vencimentos concentrando-se à porta da empresa. Querem um regime favorável em relação aos outros portugueses. Como querem os trabalhadores da CGD e o Banco de Portugal. As empresas do estado, monopolistas e ganhando muito melhor que os outros trabalhadores e pensionistas.

Um dos trabalhadores diz "que isto ainda revolta mais porque não vai servir para nada". Como se trata de um mecânico, como saberá ele?

"Cerca de 400 trabalhadores da TAP concentraram-se esta sexta-feira frente à entrada do edifício da empresa. Em causa os cortes salariais e a suspensão do subsídio de natal e férias."

E eis o acordo: Jardim vence por KO o vedor da Fazenda

por Rogério da Costa Pereira às 21:20
«O presidente do governo regional da Madeira anunciou o programa de financiamento da região autónoma é de 1500 milhões de euros e só vencerá em 2031, com juros iguais aos estipulados no memorando da troika para a República, cuja a taxa média é de 3,5%. "Este foi o acordo possível sob a coação do momento em que vivemos", justificou o líder regional, em conferência de imprensa, no Funchal."É para cumprir!" - assegurou Jardim.» [DN]
Em suma, o "coagido" coagiu o governo desta "República" e venceu em 2031 frentes (até lá, a puta paga a diferença). Jardim deixa a dívida aos que se seguem (outros a não pagarão), faz figura de campeão e prova que a chantagem é árvore de fruto sumarento. Eis as linhas com que nos coze este governo (é mesmo com z, não me enganei). Mais um túnel para a ilha do costume.

Petróleo e gás - a ser verdade nem assim seremos um país justo!

por Luis Moreira às 20:00
A ser verdade logo vão aparecer uns senhores que, não se sabe porquê, serão nomeados para ganhar mundos e fundos e depois há uns esquemas em que o gás e o petróleo desaparecem na voragem dos interesses que estão instalados. Na Noruega apareceu petróleo e o país tornou-se rico e justo mas olhem para a maioria dos produtores de petróleo. Profundamente desiguais e o povo continua pobre!
Isto acontece porque na Noruega há uma sociedade civil forte e culta que sabe velar pelos seus interesses!Que impôs a distribuição justa, que anda atenta, que participa!

Portugal enfrenta uma séria falta de liquidez

por Luis Moreira às 19:00

Presidenciais em França

por Luis Moreira às 17:00

François Hollande parece que desta vai mesmo conseguir ser nomeado pelo Partido Socialista Francês, ele que durante tanto tempo foi visto com um social democrata, de moderado e centrista, mesmo dentro do seu partido pelos radicais de sempre. Fez um discurso anunciando medidas concretas para as áreas da saúde, educação, fiscalidade e modernização do Estado ( Francisco Assis no Publico) .

Se vencer, o eixo França/Alemanha pode reequilibrar-se, e as medidas de contenção e austeridade impostas por Merkel e Sarkozy, podem modificar-se com a inclusão de medidas para o relançamento da economia.

Hollande, no entanto, sabe que os velhos instrumentos a que a esquerda lança mão, não podem continuar a serem utilisados porque os limites de impostos e de dívida foram ultrapassados. Pelo contrário, é preciso conter e diminuir o endividamento. Assim, a sua aposta é na revitalização do aparelho produtivo, especialmente na industrialização e pela recuperação do papel insubstituível das empresas como locais de inovação económica e integração social.

Não por acaso trás para o debate o tema do "proteccionismo", não um proteccionismo absoluto, hoje impossível, mas uma protecção positiva de interesses vitais da economia e do estado social europeu.

Esta matéria vai tornar-se num dos temas centrais da discussão política dos próximos anos, exigindo uma integração mais profunda do espaço europeu que só pode apresentar-se como uma força colectiva. Aqui terão especial atenção os princípios democráticos fundamentais em cada país.

O insuspeito FMI pela voz da sua Presidente já veio avisar que , sem o relançamento da economia, a situação vai ficar perigosa.

Emigrar para Angola só com sólidas referências de apoio

por Luis Moreira às 16:00

Os portugueses que rumam a Angola vêem-se confrontados muitas vezes com situações bizarras, como seja serem impedidos de entrar com o pretexto de não terem "visto" mesmo que este tenha sido passado pela embaixada angolana em Lisboa.

"Mais de duas dezenas de portugueses foram barrados à entrada de Angola. Dezanove foram mesmo obrigados a regressar a Portugal no mesmo avião que os tinha levado ontem à tarde. Entretanto esta manhã, já em Lisboa, contaram à equipa de reportagem da SIC que mal chegaram ao aeroporto de Luanda foram levados para uma sala onde ficaram fechados à chave."

Sem apoios sólidos no terreno é uma aventura. Estar quinze minutos no aeroporto sem que alguém nos espere pode dar lugar a chatices a que não estamos habituados. Atenção, pois!

Velhos, abandonados e mortos sem assistência

por Luis Moreira às 15:00

 

A quantidade de idosos que morrem abandonados e sós mostra bem o fracasso dos serviços sociais da Segurança Social. Estas pessoas deviam estar referenciadas, acompanhadas com visitas frequentes para serem ajudadas. Para isso existem uns funcionários da Segurança Social que andam no terreno e que se supõe que deveriam ter estas pessoas referenciadas mas, como é óbvio, não têm qualquer trabalho sério de levantamento das situações que exigem assistência. Se tivessem imediatamente se notava que a pessoa referenciada deixou de ser vista e tomavam-se as necessárias medidas.

E eu, perante esta vergonha, que é deixar morrer os mais frágeis dos frágeis pergunto: porque não a segurança social contratar a vizinhança para fazer este trabalho de referencia, ajuda e aviso? Estas pessoas que estão em casa, também idosas mas em melhor estado de saúde e condições de vida, não estarão em muito melhor  posição para fazerem este trabalho? Ou mesmo as Juntas de Freguesia ?

Mas o estado insiste em fazer o trabalho todo, em estar nos lugares todos, em fracassar em tudo onde mete as mãos. Insiste em desaproveitar a sociedade civil , porque claro, o estado é uma pessoa de bem e responsável, enquanto as pessoas, os cidadãos que telefonam para o "112" e para os bombeiros quando necessário, ou mesmo quando tratam dos vizinhos que precisam de ajuda, são irresponsáveis e não se pode contar com eles!

Mesmo depois de tantos mortos, alguns com semanas e mesmo meses sem que a Segurança Social dê conta do sucedido, continuamos a insistir no funcionário que entra às nove e sai às cinco?

Fotobiografia do viver acima das possibilidades #5

por António Leal Salvado às 14:14

 

 

Foto de António Supico
(da colecção "Gentes da Beira")

Exposição no Parlamento Europeu
Bruxelas, 26 a 30 de Março
Luxemburgo, 1 a 5 de Abril

Donde se conclui que parte da legitimidade deste governo vem de deus (que grande trambolhão no tempo, catano)

por Rogério da Costa Pereira às 13:50
«O ministro vincou que a simetria entre feriados civis e religiosos a extinguir “foi sempre considerada importante”. A Conferência Episcopal lembrou, depois da assinatura do acordo tripartido, que nunca iria deixar eliminar mais feriados católicos do que civis. “Alegramo-nos por as promessas feitas serem cumpridas”, disse ao i o porta-voz da Conferência Episcopal, Manuel Morujão.» [Jornal i]

Obrigado, Sr. ministro! por JOÃO CÉSAR DAS NEVES

por Luis Moreira às 13:00

Há dias um pobre pediu-me esmola. Depois, encorajado pela minha generosidade e esperançoso na minha gravata, perguntou se eu fazia o favor de entregar uma carta ao senhor ministro. Perguntei-lhe qual ministro e ele, depois de pensar um pouco, acabou por dizer que era ao ministro que o andava a ajudar. O texto é este:
"Senhor ministro, queria pedir-lhe uma grande ajuda: veja lá se deixa de me ajudar. Não me conhece, mas tenho 72 anos, fui pobre e trabalhei toda a vida. Vivia até há uns meses num lar com a minha magra reforma. Tudo ia quase bem, até o senhor me querer ajudar.
Há dois anos vierem uns inspectores ao lar. Disseram que eram de uma coisa chamada Azai. Não sei o que seja. O que sei é que destruíram a marmelada oferecida pelos vizinhos e levaram frangos e doces dados como esmola. Até os pastelinhos da senhora Francisca, de que eu gostava tanto, foram deitados fora. Falei com um deles, e ele disse-me que tudo era para nosso bem, porque aqueles produtos, que não estavam devidamente embalados, etiquetados e refrigerados, podiam criar graves problemas sanitários e alimentares. Não percebi nada e perguntei-lhe se achava bem roubar a comida dos pobres. Ele ficou calado e acabou por dizer que seguia ordens.
Fiquei então a saber que a culpa era sua e decidi escrever-lhe. Nessa noite todos nós ali passámos fome, felizmente sem problemas sanitários e alimentares graves.
Ah! É verdade. Os tais fiscais exigiram obras caras na cozinha e noutros locais. O senhor director falou em fechar tudo e pôr-nos na rua, mas lá conseguiu uns dinheiritos e tudo voltou ao normal. Como os inspectores não regressaram e os vizinhos continuaram a dar-nos marmelada, frangos e até, de vez em quando, os belos pastéis da tia Francisca, esqueci-me de lhe escrever. Até há seis meses, quando destruíram tudo.
Estes não eram da Azai. Como lhe queria escrever, procurei saber tudo certinho. Disseram-me que vinham do Instituto da Segurança Social. Descobriram que estava tudo mal no lar. O gabinete da direcção tinha menos de 12 m2 e na instalação sanitária do refeitório faltava a bancada com dois lavatórios apoiados sobre poleias e sanita com apoios laterais. Os homens andaram com fitas métricas em todas as janelas e portas e abanaram a cabeça muitas vezes. Havia também um problema qualquer com o sabonete, que devia ser líquido.
Enfureceram-se por existirem quartos com três camas, várias casas de banho sem bidé e na área destinada ao duche de pavimento (ligeiramente inferior a 1,5 m x 1,5 m) não estivesse um sistema que permita tanto o posicionamento como o rebatimento de banco para banho de ajuda (uma coisa que nem sei o que seja). Em resumo, o lar era uma desgraça e tinha de fechar.
Ultimamente pensei pedir aos senhores fiscais para virem à barraca onde vivo desde então, medir as janelas e ver as instalações sanitárias (que não há!). Mas tenho medo que ma fechem, e então é que fico mesmo a dormir na rua.
Mas há esperança. Fui ontem, depois da missa, visitar o lar novo que o senhor prior aqui da freguesia está a inaugurar, e onde talvez tenha lugar. Fiquei espantado com as instalações. Não sei o que é um hotel de luxo, porque nunca vi nenhum, mas é assim que o imagino. Perguntei ao padre por que razão era tudo tão grande e tão caro. Afinal, se fosse um bocadinho mais apertado, podia ajudar mais gente. Ele respondeu que tinha apenas cumprido as exigências da lei (mais uma vez tem a ver consigo, senhor ministro). Aliás o prior confessou que não tinha conseguido fazer mesmo tudo, porque não havia dinheiro, e contava com a distracção ou benevolência dos inspectores para lhe aprovarem o lar. Se não, lá ficamos nós mais uns tempos nas barracas.
Senhor ministro, acredito que tenha excelentes intenções e faça isto por bem. Como não sabe o que é a pobreza, julga que as exigências melhoram as coisas. Mas a única coisa que estas leis e fiscalizações conseguem é criar desigualdades dentro da miséria. Porque não se preocupam com as casas dos pobres, só com as que ajudam os pobres."
 
Triste País que procede assim com os pobres....

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